Reservas de Airbnb em Paris despencam após onda de tumultos afastar turistas

Cancelamentos avançam e diárias ficam mais baratas

Por Admin ·

Reservas de Airbnb em Paris despencam após onda de tumultos afastar turistas

Fechamento de atrações amplia frustração de visitantes

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Bloomberg As reservas no Airbnb e em outros serviços de hospedagem em Paris despencaram após os tumultos e saques ocorridos no mês passado. A continuidade da onda de violência tem levado alguns visitantes a evitar a capital francesa.

A Agence Butler, que administra até 150 imóveis para aluguel por mês, registrou uma queda de 50% nas novas reservas desde os tumultos de 17 de outubro, afirmou o diretor de marketing da empresa, Louis Carrel-Billiard, em entrevista. As reservas de última hora recuaram 75%, acrescentou.

Enquanto isso, as reservas em Paris em plataformas como Airbnb, Booking.com e Vrbo caíram 18% na semana seguinte a 17 de outubro, na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo Jamie Lane, economista-chefe da AirDNA, empresa de análise de dados do mercado de aluguéis de curta temporada. Houve uma queda semelhante na semana seguinte, enquanto quase um terço das estadias previstas para o período de sete dias iniciado em 19 de outubro foi cancelado, afirmou Lane.

Estudantes e funcionários do setor público na França começaram a protestar em setembro, reivindicando mais recursos e manifestando insatisfação com o custo de vida. As manifestações se transformaram em atos de vandalismo em meados de outubro, quando manifestantes violentos atacaram e incendiaram prédios públicos, enquanto outras pessoas saquearam lojas em várias partes do país, inclusive no centro de Paris.

As diárias dos imóveis para aluguel também ficaram mais baratas, afirmou Carrel-Billiard. A Agence Butler, que gera 75% de suas vendas por meio do Airbnb, registrou sete casos de hóspedes que não compareceram após os tumultos, sem que os clientes solicitassem reembolso.

"Mais do que os cancelamentos, o principal problema continua sendo a falta de novas reservas", afirmou. Se a tendência atual de reservas persistir, a taxa de ocupação em novembro poderá chegar a apenas 35%, quase metade da registrada no mesmo mês do ano passado, disse Carrel-Billiard.

Embora os protestos realizados em 24 de outubro tenham sido, em geral, mais tranquilos em Paris e no restante da França, atrações turísticas como o Museu do Louvre tiveram de fechar naquele dia por determinação da polícia, frustrando, de última hora, planos de turistas organizados com bastante antecedência. Novos protestos foram convocados para 5 de novembro em todo o país.

Desde os tumultos, fachadas de lojas foram fechadas com tapumes, e muitos estabelecimentos continuam sob forte esquema de proteção policial, embora permaneçam abertos. O cenário transmite uma impressão sombria em áreas comerciais normalmente conhecidas por sua beleza arquitetônica.

Paris é uma das cidades mais importantes do Airbnb no mundo. Em 2024, era a maior cidade da empresa em número de diárias reservadas e de anúncios de imóveis, afirmou a diretora financeira Ellie Mertz, pouco depois dos Jogos Olímpicos.

O Airbnb não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Outras cidades europeias também enfrentaram tumultos e saques nos últimos dias, entre elas Milão, na Itália, e Frankfurt e Colônia, na Alemanha.

Leonard de Taillandier, fundador e diretor-presidente da Get a Key, outra empresa de serviços de administração de imóveis, afirmou que as reservas continuam voláteis. "Essa atividade é como uma montanha-russa", disse. "A qualquer momento, a demanda dispara, como vimos em setembro, com os shows de Celine Dion e a visita do papa. Mas então acontecem episódios de tumultos", que podem reduzir a procura.

A Get a Key, que trabalha exclusivamente com imóveis anunciados no Airbnb, reduziu em alguns casos as tarifas por diária em 50% neste mês para atrair hóspedes, afirmou.

Os anfitriões do Airbnb não são os únicos sob pressão. Os hotéis de luxo registraram uma taxa de cancelamento de 20% na última semana de outubro, segundo Christophe Laure, que dirige a associação patronal do setor de hotelaria de luxo UMIH Prestige.

As reservas de última hora caíram 60% em relação aos níveis habituais, afirmou. Segundo ele, novembro e dezembro parecem estar "muito fracos".