Republicanos atribuem derrota avassaladora a políticas de Trump

À medida que os resultados chegavam na noite de terça-feira (3) mostrando que os republicanos sofriam derrotas generalizadas nas eleições de meio de mandato, o presidente Donald Trump rapidamente tentou se eximir da culpa, afirmando que a surra ocorreu porque

Por Admin ·

Republicanos atribuem derrota avassaladora a políticas de Trump

"Eu não estava na cédula ", disse Trump em entrevista ao New York Times na noite de terça, antes do encerramento da votação em algumas partes do país. "E, como eu não estava na chapa, não conseguimos levar gente suficiente às urnas."

Quase com a mesma rapidez, os republicanos começaram a apontar o dedo de volta para o presidente.

Disseram que a perda do controle do partido tanto na Câmara quanto no Senado —seu pior desempenho em eleições de meio de mandato em décadas— foi resultado direto de uma série de decisões tomadas pelo presidente no ano que antecedeu o pleito.

Citaram as políticas tarifárias de Trump. Apontaram sua decisão de levar o país a uma guerra impopular no Irã, que elevou os preços. E questionaram seu instinto político, argumentando que ele havia colocado em risco as chances do partido ao apoiar candidatos fracos e fazer uma turnê pouco convincente nas últimas semanas de campanha.

"Trump praticamente desafiou os americanos a votar contra ele", disse Jason Roe, estrategista republicano em Michigan, acrescentando que o presidente encerrou a campanha de meio de mandato com uma "turnê de grandes sucessos de tudo que poderia ser feito de mais irritante para exasperar o povo americano".

Roe classificou a análise de Trump sobre os resultados como "ridícula", usando ainda um palavrão, e disse que o presidente foi "o arquiteto do colapso republicano".

A troca de acusações abriu um novo e difícil capítulo para os republicanos, que sofreram derrotas em estados onde acumulavam décadas de vitórias consecutivas. Alguns republicanos defenderam Trump, enquanto outros instaram o partido a deixá-lo para trás, levantando dúvidas sobre quanta influência o presidente terá na legenda durante seus dois últimos anos no cargo.

Na manhã de quarta-feira, o vice-presidente de Trump, J. D. Vance, já tinha um diagnóstico para os fracassos de seu partido nas eleições de meio de mandato —e não era a ausência de Trump na cédula.

"O motivo pelo qual perdemos foi a guerra", escreveu nas redes sociais Vance, que avalia concorrer à Presidência em 2028 e inicialmente alertou Trump contra uma intervenção militar no Irã . Ele acrescentou que "todos sabem por que perdemos" e que "qualquer conversa honesta sobre o caminho a seguir precisa começar por aí".

O deputado republicano Don Bacon, de Nebraska, que representa um distrito disputado e não concorreu à reeleição, rejeitou como "bobagem" a análise de Trump sobre as derrotas do partido. "Tudo isso gira em torno dele", disse Bacon.

O "motivo número 1" para o desempenho republicano foi a impopularidade do presidente, argumentou Bacon, seguido pela decisão de apoiar candidatos que ele considerava fracos em disputas cruciais pelo Senado: Ken Paxton, candidato republicano no Texas envolvido em escândalos, e a senadora Darline Graham, da Carolina do Sul, uma novata na política que ocupou a cadeira de seu irmão, o falecido senador Lindsey Graham, e depois concorreu a um mandato completo para substituí-lo.

"Perdemos a disputa pelo Senado na Carolina do Sul, pelo amor de Deus", disse Bacon. "Ele colocou gente ruim na disputa."

Brinker Harding, o republicano que sofreu uma derrota esmagadora no distrito de Nebraska representado por Bacon na última década, disse que não comentaria a afirmação de Trump de que os republicanos perderam porque ele não estava na cédula. Mas apresentou sua própria lista de motivos.

"Os preços da gasolina estão altos", disse Harding. "As tarifas têm sido um problema."

Os líderes republicanos reagiram de forma contida à noite sombria do partido.

O senador John Thune, da Dakota do Sul, líder da maioria na Casa, divulgou uma nota de 177 palavras celebrando o que chamou de êxitos republicanos durante os dois primeiros anos do segundo mandato de Trump.

"Felizmente, ainda temos o presidente Trump na Casa Branca e trabalharemos com ele para conter os piores impulsos do extremismo democrata", afirmou. Ele não citou nenhuma causa para o péssimo desempenho de seu partido.

O presidente da Câmara, Mike Johnson, da Louisiana, que viu seu partido perder o controle da Casa e ficará sem o comando até o próximo ano, foi mais enfático na defesa do presidente, dizendo que os democratas "realmente sofrem da síndrome de obsessão por Trump".

Mas os resultados eleitorais em todo o país mostraram que os democratas haviam atraído eleitores para seu lado, mesmo em estados tradicionalmente republicanos, como Kansas, Iowa e Texas.

Na Fox News, Trump disse que alguns eleitores simplesmente "não gostavam dos candidatos". "Alguns dos candidatos que apoiei me enfrentaram", disse Trump, acrescentando que seus eleitores mais fiéis "não gostaram que eles tivessem me enfrentado".

Em Iowa, a candidata ao Senado apoiada por Trump, a deputada Ashley Hinson, tentou superar os obstáculos políticos criados pela economia pedindo o fim da guerra no Irã e criticando as políticas tarifárias do presidente. O candidato ao Senado apoiado por Trump em Michigan, o ex-deputado Mike Rogers, adotou uma estratégia semelhante.

Ambos os republicanos foram derrotados. Mas Paxton, o escolhido de Trump no Texas, aparentemente perdeu por uma margem ainda maior depois de fazer pouco para se distanciar do presidente.