Renner retira projeções de crescimento de receita até 2030 citando desafios no varejo

Varejista atribui decisão à pressão no consumo e à concorrência externa

Por Admin ·

Renner retira projeções de crescimento de receita até 2030 citando desafios no varejo

Vendas líquidas recuam no terceiro trimestre e frustram expectativas iniciais

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São Paulo A Lojas Renner retirou as projeções de crescimento de receita para 2026 e para o período de 2027 até 2030, citando um ambiente econômico de maior incerteza em meio à concorrência com plataformas internacionais e à queda no consumo dos brasileiros.

A medida foi anunciada em fato relevante na noite de quinta-feira (5), na esteira da divulgação dos resultados do terceiro trimestre.

A varejista gaúcha, dona das marcas Renner, YouCom e Camicado, viu as vendas líquidas caírem 1,6% entre os meses de julho a setembro na comparação com o mesmo período de 2025, para R$ 3,03 bilhões, abaixo das expectativas iniciais.

Em lucro líquido, a companhia reportou queda de 11,8% na comparação com 2025, a R$ 246,4 milhões. Neste ponto, o desempenho ficou acima do esperado pela média do mercado, de R$ 199 milhões, segundo dados da LSEG.

Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou em R$ 571 milhões, 3,9% abaixo do registrado um ano antes. O indicador mede eficiência operacional, descartando efeitos de eventos atípicos e não recorrentes da conta.

Por volta das 10h50 desta sexta-feira (6), as ações da empresa caíam 0,62% na Bolsa brasileira, cotadas a R$ 9,47.

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O desempenho, segundo o presidente da companhia, Fabio Faccio, foi afetado pela conjuntura macroeconômica que tem acirrado desafios para varejistas de moda .

Além da concorrência com plataformas internacionais, beneficiadas pelo fim da "taxa das blusinhas" em maio, a renda pressionada e a seletividade dos brasileiros em consumir produtos discricionários –aqueles não essenciais– afetaram as vendas das marcas da varejista. A Copa do Mundo, em julho, também é mencionada como um fator de aperto para a receita no período.

"A atual conjuntura macroeconômica e competitiva aumentou o grau de incerteza, reduzindo a previsibilidade do ritmo de crescimento da receita", afirmou o presidente da companhia, Fabio Faccio.

A retirada de projeções, segundo ele, se dá pela mudança de cenário econômico desde que as expectativas para o ano foram traçadas, no fim de 2025. As premissas usadas à época, diz Faccio, se mostraram muito diferentes da conjuntura atual, dificultando antecipar o comportamento das vendas.

A Lojas Renner manteve as demais metas até 2030, incluindo a previsão de abertura de 50 a 60 lojas em 2026.