Lippmann nasceu em 1935, na Alemanha . Em novembro de 1938, quando tinha três anos, sua família decidiu deixar o país após a Noite dos Cristais , episódio criminoso em que judeus foram assassinados e sinagogas e estabelecimentos comerciais da comunidade foram incendiados e vandalizados.
Na Bélgica , teve de adotar um nome falso e se refugiar em um convento católico. Chegou a cogitar a conversão ao catolicismo, mas o padre local o aconselhou a esperar antes de tomar uma decisão. "O fato é que precisei me esconder porque era judeu. Só que eu não tinha a menor ideia do que significava ser judeu", afirmou em entrevista à Folha , em seu apartamento.
Lippmann chegou ao Brasil aos 11 anos, depois de ser expulso da Bélgica. No país sul-americano, disse ter sido impedido de celebrar o bar mitzvah porque não havia conseguido aprender hebraico.
A cerimônia, enfim, ocorreu há poucos dias, em 15 de outubro, no Memorial do Holocausto, em São Paulo. "Acho que, de certa forma, recuperei algo que havia perdido. Foi uma reconexão com as minhas raízes."
Vítima da intolerância no passado, Lippmann vê com preocupação o avanço da extrema direita na atualidade. Na Alemanha, o partido AfD (Alternativa para a Alemanha), que abriga integrantes investigados por neonazismo , conquistou vitórias em eleições regionais . Leia, a seguir, o relato de Lippmann.
Nasci em Plauen, uma pequena cidade da Alemanha. Em novembro de 1938, quando eu tinha três anos, lembro que pessoas entraram em casa e quebraram tudo. Não eram militares, mas civis. Simplesmente invadiram, começaram a destruir as coisas e, depois, foram embora.
Anos mais tarde, o [escritor e cineasta] Marcio Pitliuk identificou aquele episódio como parte da Noite dos Cristais. O fato é que precisei me esconder porque era judeu. Só que eu não tinha a menor ideia do que significava ser judeu. Só fui entender isso depois de chegar ao Brasil, com 11 anos.
'Recuperei algo que havia perdido', diz sobrevivente do Holocausto que fez bar mitzvah aos 91; leia relato
Sobrevivente do Holocausto , Stefan Lippmann celebrou aos 91 anos o bar mitzvah , rito que marca a maioridade religiosa dos meninos judeus, geralmente aos 13. Radicado no Brasil, ele realizou a cerimônia com quase oito décadas de atraso, resgatando na velhice