Evento continua sábado e domingo com Alex Atala e Luiz Filipe Souza, que integram programação de debates
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
São Paulo Mais de mil pessoas foram até o parque Villa-Lobos para o segundo dia do Folha Gourmet Festival . No domingo, o público do evento provou pratos diferentões, como a pipoca de pão de queijo do mineiro Lena e o pato com molho de refrigerante do ítalo-brasileiro Plin.
Em vez do tradicional suco da fruta, a receita leva uma redução da bebida Fanta laranja. Ela é servida junto de massa de pizza frita, pato desfiado e saladinha de ervas, a R$ 55. "É uma interpretação diferente, uma pegada debochada de um prato clássico", afirmou o chef Giovanni Renê.
No estande do restaurante Lena, o pão de queijo, clássico mineiro, vira pipoca ao ser frito. Recebe ainda ketchup de goiabada e creme azedo, uma combinação que agradou ao público.
Os sanduíches japoneses do Saiko Sando continuaram a fazer sucesso. O gyukatsu, feito com filé-mignon, maionese japonesa e molho de ostra, por R$ 49, e o ebi, de camarão com molho tártaro e salada de repolho, de R$ 45, são alguns dos preparos favoritos lembrados por visitantes como o casal de advogados Ana Silva, de 47 anos, e Vinícius Albuquerque, de 38.
Eles provaram os quatro sabores trazidos pelo restaurante para o festival. "A gente veio ontem e voltou hoje para comer de novo", disse Silva. O Saiko encerra sua participação neste domingo e dá lugar ao Aiô, casa dedicada à cozinha taiwanesa, no próximo final de semana do Folha Gourmet Festival.
"A gente começou pelo tradicional, mas tem comidas inusitadas. Alguns locais eu já admirava, como o Z Deli, e outros que nem imaginava, como o Make Hommus. Not War. São propostas bem diferentes que deixam o paladar mais refinado", disse Gisele Sotto, de 51 anos, publicitária.
No debate gastronômico do dia, "Como São Paulo Come o Mundo", o padeiro e empreendedor cultural Olivier Anquier conversou sobre a diversidade gastronômica e o papel dos imigrantes —sejam eles de outros estados ou de outros países— na transformação de toda a comida da cidade.
Com ele, estavam Thiago Vinícius, empreendedor social que está à frente do Organicamente Rango, restaurante que pôs a periferia no roteiro gastronômico da cidade; o chef haitiano Pierre Schrage, à frente da cozinha do recém-aberto Nudo; e Xavier Bartaburu, autor do livro "Como São Paulo Come", que faz uma arqueologia da cozinha paulistana. A conversa foi mediada por Marília Miragaia, editora do Guia Folha + Comida.
Para os convidados, não dá para pensar no que se come em São Paulo sem levar em conta tudo o que veio de fora da metrópole. Bartaburu compartilhou que, mesmo após a sua pesquisa, não é capaz de definir o que seria um prato tipicamente paulistano. Isso porque a comida da cidade surge do encontro de influências —indígenas, africanas, caipiras, nordestinas e de tantos grupos de imigrantes— que foram incorporadas ao dia a dia local.
"A grande descoberta foi entender que não existe uma comida italiana, japonesa ou árabe [em São Paulo], o que existe é uma comida italo-paulistana, nipo-paulistana, árabe-paulistana. São Paulo tem essa fome meio voraz de querer devorar e transformar tudo", afirma o pesquisador.
Anquier declarou o centro de São Paulo o coração da cidade, renovou seus votos de amor pela região, com toda a sua diversidade de culturas, e pelo país como um todo. "Quando cheguei, era francês, mas virei um brasileiro de origem francesa", ele disse.
André Frateschi e sua banda encerraram a programação deste domingo do Folha Gourmet Festival, no fim da tarde, chamando a manhã de volta. "Pro Dia Nascer Feliz", do Barão Vermelho, logo roubou o público dos outros espaços do festival, que foi ouvir a apresentação entre pulos e aplausos.
A apresentação seguiu com clássicos do rock nacional, como "Sonífera Ilha", "Cowboy Fora da Lei" e "Primeiros Erros". É claro, também umas tantas do Legião Urbana , banda que hoje conta com os vocais de Frateschi. "Eduardo e Mônica", "Quase Sem Querer". "Meninos e Meninas", "Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto" e "Eu Sei" foram algumas delas.
A banda também tocou faixas estrangeiras, como "Don’t Look Back In Anger", do Oasis, e "The Man Who Sold The World", de David Bowie. A formação conta com Rafael Mimi na guitarra, Johnny Monster no violão, Rafael Garga na bateria e Dudinha Lima no baixo.
O Folha Gourmet Festival continua no próximo fim de semana, no sábado e no domingo. Ainda há ingressos à venda no Sympla . Os bilhetes custam R$ 50, na modalidade inteira, e R$ 25, o valor da meia-entrada. Crianças de até dez anos têm entrada gratuita; basta retirar os tíquetes no mesmo site de vendas.
Programação do próximo sábado (14):
13h: Show do saxofonista Daniel Laleska
14h: Mesa ‘Viajar para comer’, com a chef Elisa Fernandes e o chef Luiz Filipe Souza
Folha Gourmet Festival Pq. Villa-Lobos - av. Professor Fonseca Rodrigues, 2.001, Alto de Pinheiros, região oeste. Dias 4 e 15/11. Sáb., das 12h às 22h. Dom., das 12h às 20h. Ingr.: a partir de R$ 50 (inteira) em Sympla . Crianças de até dez anos não pagam. @folhagourmetfestival
Receitas inusitadas, debate sobre gastronomia e André Frateschi marcam segundo dia de festival da Folha
Músico cantou Legião Urbana e outros clássicos do rock em show que fechou o fim de semana