Mudança faz parte de medidas tomadas pela empresa no âmbito da recuperação extrajudicial
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São Paulo A Raízen informou ao mercado nesta terça-feira (3) a mudança no código de negociação (ticker) das ações da companhia na B3 de RAIZ4 para RAIZ5.
Segundo o comunicado publicado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), os papéis serão negociados com lote padrão e fator de cotação de cem ações. Lotes inferiores ao padrão continuarão a ser negociados no mercado fracionário.
"A alteração do fator de cotação não modifica a quantidade de valores mobiliários detida pelos investidores, os direitos a eles inerentes nem o valor de suas posições, alterando apenas a forma de expressão do preço, nos termos do Manual de Procedimentos Operacionais da Câmara B3", diz a empresa.
A alteração vem na sequência da mudança na classificação de suas ações preferenciais, que passaram a ser de classe A.
O pedido de conversão do registro de emissor de valores mobiliários da categoria B para a categoria A foi aprovado pela CVM em 19 de outubro e faz parte do plano de recuperação extrajudicial da Raízen, aprovado pelos acionistas na última sexta-feira (30).
Uma das possibilidades de pagamento de credores (opção A) envolve a troca da quantia devida por uma combinação de novos títulos de dívida e ações da Raízen. Para cada R$ 1 devido, quem escolher essa alternativa poderá receber R$ 0,374 em novas debêntures, R$ 0,176 em títulos de dívida da Raízen Energia (fruto de uma cisão da companhia) e o equivalente a R$ 0,45 em ações.
A opção B, por sua vez, consiste no pagamento do valor devido com deságio de 20% em uma única parcela, em 31 de março de 2047. A opção será aplicada automaticamente aos credores que não enviarem o formulário da empresa até 3 de dezembro. O documento prevê a possibilidade de antecipação desse prazo, de acordo com negociação entre as empresas.
A terceira opção, voltada a créditos de menor valor permite receber 75% da quantia devida em dinheiro até o limite de R$ 9.750 por emissão de título. A empresa afirmou no documento que a possibilidade tem um limite de R$ 150 milhões.
"Credores Opção C que não forem integralmente pagos com o Valor Global Opção C terão seus Créditos Sujeitos alocados integralmente na Opção A (Opção de Pagamento Alternativa)", afirma a companhia.
O plano de recuperação extrajudicial da Raízen foi homologado pela Justiça de São Paulo em 30 de julho. Ele contou com apoio de 81,6% dos credores da companhia, em busca de reestruturar uma dívida de R$ 61,4 bilhões.
Controlada pela Shell e pela Cosan, do empresário Rubens Ometto, a empresa sofria os efeitos de um acelerado processo de expansão e investimento em novas tecnologias, com algumas apostas frustradas, como a entrada no segmento de varejo.