É ali que atua como facilitadora da Rede Conexão Povos da Floresta em sua comunidade, uma das mais de 2.700 que já receberam o kit de conectividade da iniciativa cuja meta é levar conexão a 1 milhão de indígenas, quilombolas e ribeirinhos em isolamento digital na Amazônia Legal.
Desde março, as 50 famílias da resex Cajari passaram a ter acesso à internet via satélite, graças à antena, roteador, celular, notebook e painéis de energia solar doados pela Rede Conexão, finalista do Prêmio Empreendedor Social 2026, na categoria Inovadores Sociais do Ano.
"Quando a conexão chega, ela veio para atrelar a nossa ancestralidade com o novo", resume Jéssica, guardiã de uma conectividade consciente. Segundo ela, um dos impactos da chegada da tecnologia é o acesso a políticas públicas, reduzindo a necessidade de deslocamentos até os centros urbanos. "A inclusão digital ajuda a manter a juventude no campo."
A seguir o relato da gestora educacional que se formou em pedagogia na Universidade de Brasília e voltou correndo para casa com a missão de lutar por mais dignidade para seu povo historicamente invisibilizado.
"Por conta dos estudos, morei em Brasília por 2 anos, mas levei minha horta, meu tucupi, minha farinha. Nunca esqueci de quem eu era. Fiz pedagogia na UnB. Era meu sonho, mas sempre agoniada para voltar para casa. Sou muito ligada às pessoas, ao campo. Sou negra, quilombola, extrativista e ribeirinha.
Até a chegada da internet na comunidade, nós estávamos esquecidos. Antes, nossos alunos concluíam o ensino fundamental e tinham que ir para a cidade. Hoje, com a conectividade, consigo deixá-los dentro da escola fazendo um curso online, se preparando para o Enem.