Quem foi a primeira mulher a ter função administrativa num banco em São Paulo

O nome dela era Maria Eugênia Guimarães. Os dados sobre sua vida pessoal são escassos. Mas profissionalmente ela foi responsável por uma pequena revolução no setor bancário paulista. Em 13 de janeiro de 1932, ano da Revolução Constitucionalista, ela foi contra

Por Admin ·

Quem foi a primeira mulher a ter função administrativa num banco em São Paulo

Até então nenhuma mulher havia conseguido emprego numa grande instituição financeira do estado, a não ser como telefonista ou em serviços de limpeza. Os cargos administrativos só ficavam com os homens. Nacionalmente, a Caixa Econômica Federal já havia contratado, em 1921, três pessoas do sexo feminino como escriturárias.

Parecia haver uma espécie de tabu que tornava o trabalho nos bancos exclusivo para os homens. A contratação de Maria Eugênia, inicialmente em caráter experimental, quebrou uma barreira, teve grande repercussão na época e causou um escândalo na sociedade paulistana .

Não se imaginava que uma mulher pudesse executar esse tipo de serviço com competência e fosse capaz de suportar as jornadas exaustivas que se impunham aos bancários na época. É óbvio que as objeções à presença feminina nos escritórios não se restringiam ao Banespa. Naquele momento, só restavam a elas as atividades de baixa qualificação.

Maria Eugênia não era uma figura decorativa. No período da Revolução Constitucionalista , logo após entrar no Banespa, a bancária teria assumido a responsabilidade pelo serviço de câmbio e pela distribuição das cédulas que ficaram conhecidas como "moeda paulista", uma solução de emergência para evitar a estagnação da economia do estado. O governador de São Paulo, Pedro de Toledo , determinou a emissão de notas próprias para garantir o pagamento das tropas militares e o abastecimento do comércio.

O trabalho nos bancos no começo da década de 1930 era extenuante e insalubre. O expediente era das 9h às 18h e frequentemente se estendia até a madrugada. Também se trabalhava aos sábados. Não havia pagamento de hora extra e as agências eram pouco ventiladas e escuras. Muitos funcionários contraíam tuberculose.

Não por acaso eclodiram várias greves no período que pressionaram Vargas a baixar um decreto em 1933 estabelecendo uma jornada de seis horas para a categoria.

Após contratar a pioneira Maria Eugênia, o Banespa se tornou mais permeável à admissão de mulheres. Mas foi só em 1935 que o banco passou a aceitar formalmente que elas se inscrevessem nos seus concursos públicos.

Apesar dos avanços alcançados ao longo da história, as mulheres ainda representam 35,4% da força de trabalho do setor financeiro, segundo pesquisa da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) . É um percentual baixo, considerando que elas são 51,5% da população brasileira. Na hierarquia das instituições do setor de finanças ocupam 42,9% dos cargos de gerência e 20,8% das posições de diretoria. Apenas 5,4% presidem alguma instituição.

O Banespa começou a nascer em 1909 com o nome de Banco de Crédito Hipotecário e Agrícola do Estado de São Paulo. Há cem anos, em 1926, passou a se chamar Banco do Estado de São Paulo e, 21 anos depois, se mudou para um novo endereço, o edifício Altino Arantes , na rua João Brícola, que, com 161 metros, já foi o mais alto da cidade. Em 2000, o banco espanhol Santander assumiu seu controle.