Quem estaria por trás das falsas ameaças contra sistema aéreo e empresas de comunicação da Europa? Entenda

Uma série de ameaças de bomba tem provocado transtornos no tráfego aéreo europeu desde terça-feira, com desvios de aeronaves, mobilização de caças militares e reforço da segurança em aeroportos de diferentes países. Embora nenhum explosivo

Por Admin ·

Quem estaria por trás das falsas ameaças contra sistema aéreo e empresas de comunicação da Europa? Entenda

Uma série de ameaças de bomba tem provocado transtornos no tráfego aéreo europeu desde terça-feira, com desvios de aeronaves, mobilização de caças militares e reforço da segurança em aeroportos de diferentes países. Embora nenhum explosivo tenha sido encontrado até agora, a sucessão de episódios levanta dúvidas sobre a origem dos alertas e a possibilidade de uma ação coordenada. Parte das mensagens foi enviada em nome de um movimento extremista russo, mas as autoridades não identificaram os responsáveis pelas ameaças, também feitas a empresas de comunicação .

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Nesta sexta-feira, mais de dez voos foram alvo de novos avisos. O aeroporto de Praga, na República Tcheca, recebeu comunicações envolvendo nove aeronaves, das quais três tinham a capital como destino e seis partiriam da cidade. As autoridades locais informaram que outras advertências também chegaram ao terminal, que continuou funcionando normalmente.

Na Bulgária , o Ministério dos Transportes confirmou à AFP que dois aviões foram ameaçados, mas pousaram sem incidentes. Em Portugal , a polícia inspecionou uma aeronave que faria o trajeto entre Lisboa e Roma, sem localizar qualquer artefato explosivo. A Dinamarca também registrou novas mensagens direcionadas ao tráfego aéreo do aeroporto de Copenhague. De acordo com a CNN, a polícia dinamarquesa descartou riscos aos passageiros.

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A nova sequência de incidentes ocorre após uma quinta-feira marcada por perturbações em diferentes partes do continente. Segundo a britânica BBC, pelo menos 21 voos e vários aeroportos foram afetados. Na Itália , caças da Força Aérea foram mobilizados para escoltar aeronaves e trajetos precisaram ser alterados. Um voo da irlandesa Aer Lingus com destino à capital italiana foi desviado para a França , enquanto duas aeronaves procedentes da Espanha e da Dinamarca seguiram para a Bulgária. Na terça-feira, pelo menos sete voos já haviam mudado de rota em razão de advertências semelhantes, conforme a CNN.

Nesta sexta, a crise se expandiu para empresas de comunicação, especialmente da Irlanda , interrompendo transmissões e esvaziando redações.

Até o momento, nenhum país europeu identificou oficialmente os autores das mensagens . A União Europeia (UE) afirmou que ainda é cedo para determinar se os incidentes estão relacionados, embora especialistas em segurança levantem a hipótese de uma campanha destinada a desestabilizar serviços essenciais no continente.

Uma das principais pistas está em e-mails enviados a aeroportos de Roma e Sófia, supostamente assinados pelos chamados "Combatentes do Estado Masculino". Segundo a AFP, a denominação parece fazer referência a um movimento nacionalista russo, mas não foi possível confirmar a ligação.

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Na Itália, uma das comunicações chegou a uma empresa que presta serviços ao aeroporto de Fiumicino. O texto afirmava que dispositivos explosivos haviam sido colocados em dois aviões procedentes de Helsinque e Dublin. A mensagem foi divulgada inicialmente pela emissora italiana Sky TG24, e um representante do terminal confirmou à CNN a autenticidade da reprodução do e-mail.

Segundo o Centro Internacional de Contraterrorismo (ICCT), o movimento "Estado Masculino" surgiu na Rússia em 2016, com discurso misógino, e passou a apoiar a invasão da Ucrânia em 2022. O grupo foi classificado como extremista e proibido pela Justiça russa em 2021. Em seu canal no Telegram, o fundador do movimento, Vladislav Pozdnyakov, negou ligação com as ameaças e disse que o "Estado Masculino" deixou de existir há cinco anos.

"Quem quer que esteja atualmente promovendo provocações na UE em nome dessa 'marca' está agindo em benefício próprio, simplesmente usando a bandeira de outra pessoa. Não é que eu sinta pena da Europa, de sua segurança ou de sua economia (na verdade, não me importo nem um pouco)", acrescentou.

A utilização do nome, no entanto, não comprova que seus integrantes estejam envolvidos. Em análise publicada pela BBC, o correspondente de segurança Frank Gardner destacou que os responsáveis podem estar se passando pelo grupo para ocultar a própria identidade.

Por que há suspeitas sobre a Rússia?

A possibilidade de envolvimento de agentes ligados a Moscou ganhou espaço entre analistas diante da simultaneidade dos alertas e de episódios recentes de sabotagem e ataques cibernéticos . A hipótese é de que as ameaças sejam parte de uma estratégia de guerra híbrida, pautada por ações que prejudicam a infraestrutura de um determinado país sem que haja uma ação militar "clássica".

À agência Reuters, Eric Schouten, diretor da empresa de segurança aérea Dyami, avaliou que o padrão das ameaças é compatível com operações atribuídas ao Kremlin, e apontou que vários dos países afetados estão entre os que apoiam a Ucrânia na guerra lançada pelos russos em 2022.

O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha afirmou que a segurança europeia está sendo testada muito além da linha de frente ucraniana, citando os recentes alertas em aeroportos, ataques cibernéticos contra sistemas de refrigeração de supermercados e incursões de drones no espaço aéreo de países europeus. Contudo, não há indícios que vinculem as ameaças a agentes russos ou do Irã, outro país acusado de empregar elementos de guerra hibrida em solo europeu.

A maior parte das comunicações ocorreu por e-mail. À CNN, um representante do aeroporto de Praga disse que uma única mensagem trazia ameaças a quatro voos, de forma anônima, em um texto similar aos enviados a outros terrminais europeus. Na Itália, o texto atribuído ao grupo extremista foi encaminhado a uma empresa de logística que atua em Fiumicino.

Embora as varreduras tenham descartado a presença de explosivos, especialistas ressaltam que as autoridades não podem simplesmente ignorar esse tipo de comunicação. Keith Jeffries, ex-diretor de segurança federal do aeroporto de Los Angeles, explicou em entrevista à CNN que os terminais aéreos contam com planos específicos para lidar com possíveis ataques e realizam treinamentos para executar os procedimentos necessários em situações de emergência. No Reino Unido , a ministra dos Transportes, Heidi Alexander, classificou as ocorrências como ações falsas e maliciosas, afirmando que os protocolos já estabelecidos foram acionados por companhias e autoridades locais.

Nesta sexta-feira, várias empresas de comunicação da Irlanda receberam ameaças de bomba, expandindo a crise para além dos aeroportos. Um e-mail enviado à emissora pública RTÈ afirmava que um explosivo seria detonado pela manhã, e as instalações da empresa foram esvaziadas, Em comunicado, a Virgin Media Ireland também confirmou ter recebido a ameaça, destacando que "as transmissões permaneceram no ar durante todo o período e não houve necessidade de evacuação".