Após a invasão das sedes dos Três Poderes, no dia 8 de janeiro , fui bombardeada por uma mesma pergunta: "Por que você não escreve sobre os velhos fascistas e golpistas que apoiam psicopatas genocidas e se identificam com eles?".
Respondi que só consigo escrever sobre aquilo que pesquiso e nunca pesquisei velhos fascistas e golpistas. Aliás, fascistas e golpistas existem em todas as idades, não é mesmo? E eles envelhecem... Ou será que alguém acredita que eles se tornaram fascistas e golpistas depois dos 60 anos?
Em entrevista para a BBC com o título: " Associar idosos à radicalização e à extrema direita é velhofobia ", afirmei que o discurso que associa os mais velhos ao fascismo não é só perigoso, mas criminoso. Se antes ouvíamos que velhos são "teimosos", "inúteis" e "gagás", naquele momento estávamos ouvindo que eles são "fascistas, golpistas e de extrema direita".
Destaquei que ainda estávamos sofrendo com a morte de mais de 716 mil brasileiros, com o descaso com a vacinação e com os discursos velhofóbicos que foram disseminados durante a pandemia de Covid-19: "Velhos têm que morrer mesmo, vai ser até bom para a Previdência. Eles são um peso para a economia. O grande problema do Brasil é que todo mundo quer viver até 100 anos".
Muito antes dessa onda velhofóbica, publiquei na Folha uma coluna com o título " Velho é lindo! ", em setembro de 2013.
Nela, contei que tive um sonho que mudou a minha vida. No sonho, eu estava dando aula e dizia para os meus alunos e alunas: "A única categoria social que inclui todo mundo é velho. Somos classificados como homem ou mulher, homo ou hétero, negro ou branco. Mas velho todo mundo é. O jovem de hoje é o velho de amanhã. Por isso, como nos movimentos libertários do século passado do tipo "black is beautiful", deveríamos vestir uma camiseta com os dizeres: "Eu também sou velho!" ou, melhor ainda, "Velho é lindo!"