É impossível não pensar na "nomenklatura" da antiga União Soviética : enquanto a elite do partido come caviar e bebe champanhe, o cidadão anônimo vai para a fila do pão e do leite.
Em teoria, é possível manter este estado de coisas, se estivermos falando de uma ditadura, com polícia política e campos de "reeducação". Numa democracia, não.
E os Estados Unidos são uma democracia. Nunca levei a sério os histéricos de plantão que viam em Trump o fim da república. É preciso não conhecer a república: sua descentralização administrativa, sua forte sociedade civil, sua tradição de litigância.
Falo desses três porque o New York Times, em editorial , resolveu relembrar aos incréus o papel que tiveram nestas midterms .
Foram os funcionários eleitorais que, apesar da pressão e das alegações de fraude, garantiram uma votação limpa e regular.
Foram as organizações da sociedade civil, como a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) ou a League of Women Voters, que contestaram na Justiça as ordens executivas do presidente sobre o registro eleitoral e o voto pelo correio.