Já reparou no que acontece quando alguém chega a um posto grande demais para o que sabe fazer? Em vez de crescer até o lugar, a pessoa encolhe o lugar até caber nela.
Dizem que, quando um palhaço se muda para um palácio, ele não vira rei. O palácio é que vira circo. A imagem é exagerada de propósito, mas descreve bem uma cena que muita gente já viu de perto.
A promoção entrega uma sala melhor, um nome novo no crachá, às vezes um salário maior. Não entrega, de brinde, o preparo para decidir, liderar e sustentar o que o cargo exige. O título muda. A capacidade fica onde estava.
Quando essa distância é grande, a saída mais comum é reduzir a régua. Ninguém precisa mais fazer perguntas difíceis. Quem discorda vai ficando de fora das reuniões. Quem aponta o que está errado começa a ser tratado como problema. Aos poucos, a pessoa que sabe mais é afastada, e a que concorda mais é premiada. O que importa deixa de ser fazer bem feito e passa a ser parecer que sabe.
O mais perigoso vem depois, quando o próprio ocupante do cargo compra a peça que encenou. Passa a ler obediência como respeito e silêncio como aprovação. Acha que o cargo é prova de um mérito que ainda não mostrou.
Só que esse estrago não fica dentro da sala da chefia. Numa empresa, ele escorre para o time, que perde o rumo e a motivação, para o cliente, que recebe um serviço pior, e para o caixa, que registra tudo no fim do mês.
Por isso, antes de promover alguém, vale uma pergunta simples: essa pessoa vai elevar o lugar ou rebaixar tudo ao redor?
Ocupar uma cadeira é uma coisa. Estar à altura dela é outra bem diferente. E quando o palácio vira circo, o ingresso sobra até para quem nunca quis assistir ao espetáculo.