Quando o clima virou wokismo

Nascido nos anos 1960 na comunidade afro-americana dos Estados Unidos e retomado a partir de 2010 com o movimento "Black Lives Matter", o termo "woke" (particípio passado de "wake", acordar) foi incorporado ao Oxford English Dictionary em 2017 como consciência

Por Admin ·

Quando o clima virou wokismo

Mais recentemente, porém, a expressão foi transformada pela extrema direita norte-americana em senha de uma guerra cultural que expõe de maneira caricatural e distorcida a luta por direitos sociais —e, sobretudo, o das minorias. Sob Donald Trump , vigora a proibição do uso de termos que evoquem DEI ("diversity, equity and inclusion") em documentos governamentais.

Mas foi pela porta dos fundos que woke se incorporou ao mundo econômico e financeiro. A partir de 2021, fundos de investimento, de pensão e outras modalidades de aplicações financeiras passaram a ser acusados de "wokismo" não apenas pelo radicalismo de detratores ocasionais, mas sobretudo por legisladores e governos estaduais, pelo poder federal e por organizações representativas de interesses corporativos, principalmente as ligadas aos combustíveis fósseis.

A tomada do Partido Republicano pela extrema direita abriu caminho para o recuo de uma agenda cuja ambição era incluir os riscos socioambientais entre os fatores importantes que deveriam nortear o comportamento dos financiadores das empresas. ESG ("environment, social, governance") foi o emblema que marcou (de forma muito mais declaratória que efetiva, é verdade) o cuidado que os fundos de investimento e outros gestores de ativos deveriam ter com os riscos representados pelo avanço dos eventos climáticos extremos.

O desabamento da ESG veio não porque os problemas aos quais ela apontava fossem negligenciáveis e sim por uma mobilização política extremista em defesa da ideia de que não cabe às empresas se envolverem em assuntos que não se refiram estritamente à busca de lucro para seus acionistas.