Uma das respostas possíveis está em um fenômeno conhecido como alert fatigue, ou fadiga de alertas. Ele ocorre quando avisos repetidos —pouco relevantes ou mal calibrados— começam a perder capacidade de chamar atenção e provocar uma resposta. O problema não é alertar. É preservar algo mais difícil do que a cobertura tecnológica: a confiança .
O Brasil avançou na capacidade de disseminar avisos de emergência. O Defesa Civil Alerta usa a rede de telefonia celular para enviar mensagens diretamente aos aparelhos compatíveis, conectados às redes 4G ou 5G, presentes em determinada área de risco, sem exigir cadastro prévio.
O alcance, porém, não é sinônimo de efetividade. Uma mensagem pode chegar ao aparelho e, ainda assim, não produzir qualquer mudança de comportamento. Um estudo publicado em 2025 ajuda a entender o problema. As pesquisadoras analisaram gestores de emergência e integrantes do público para investigar excesso de alertas, fadiga e decisões de deixar de receber ou ignorar avisos.
Os resultados mostram que frequência e relevância e conteúdo das mensagens estão entre os fatores associados à fadiga. Entre as consequências aparecem dessensibilização, reclamações e a decisão de deixar de receber alertas quando isso é possível.
A diferença entre receber e reagir é central. Um sistema não deve ser avaliado apenas pela entrega das mensagens, mas pela capacidade de gerar uma decisão de proteção.
O Defesa Civil Alerta opera com dois níveis principais. O alerta severo indica a necessidade de medidas de proteção. O alerta extremo é destinado a situações de risco grave e imediato à vida ou à propriedade.
No nível extremo, o celular emite um som semelhante a uma sirene mesmo no modo silencioso. Essa modalidade vem ativada e não pode ser desabilitada pelo usuário. Isso resolve um problema técnico, mas não outro, mais difícil: não existe configuração capaz de obrigar alguém a confiar no alerta.