PSOL avalia lançar Erika Hilton à Prefeitura de SP para mantê-la no partido e conter dissidentes após crise

A cúpula do PSOL avalia lançar a deputada federal reeleita Erika Hilton (SP) à Prefeitura de São Paulo em 2028 para mantê-la filiada ao partido e estancar o racha interno na sigla, que isolou o grupo político ligado à parlamentar e ao ministro da Secretaria-Ge

Por Admin ·

PSOL avalia lançar Erika Hilton à Prefeitura de SP para mantê-la no partido e conter dissidentes após crise

Erika, Boulos e outros militantes da corrente Revolução Solidária, uma das alas do partido, se preparam para trocar o PSOL pelo PT no ano que vem. O grupo está isolado no partido desde março, quando foi voto vencido na tentativa de formar uma federação com o PT , e já manifestava interesse em sair da sigla.

No entanto, a decisão da Justiça Eleitoral de arredondar o percentual de votos do PSOL no Espírito Santo, garantindo ao partido o cumprimento da cláusula de barreira, dificultou a saída dos quadros que têm mandatos no Legislativo porque, agora, eles precisam da autorização da direção partidária para se desfiliarem.

Circulam entre os psolistas versões diferentes sobre o destino dos que estão descontentes , assim como sobre o que havia sido combinado, antes das eleições , com a cúpula partidária, comandada pela Primavera Socialista, ala majoritária do partido.

Presidente do PSOL, Paula Coradi disse à Folha que a situação precisa ser discutida internamente, mas que pretende fazer o possível para manter o grupo filiado ao partido.

"Num momento em que a extrema direita saiu com a força que saiu, nos interessa uma esquerda plural, que consiga ter as mais diversas diferenças de pensamento e diversidade", afirmou ela.

Aliados de Paula e de membros da direção disseram que uma solução seria oferecer a Erika Hilton a possibilidade de disputar a Prefeitura de São Paulo. A deputada federal recebeu 1,5 milhão de votos em 2026, sendo a terceira mais votada à Câmara dos Deputados , e admitiu que deixar o PSOL era uma possibilidade .

No entanto, em entrevista ao G1 na quinta (5), ela manifestou o desejo de concorrer à prefeitura da capital paulista e declarou que ainda avalia a sua saída ou permanência no PSOL.

Integrantes do PSOL disseram que, ainda em março, foi firmado um acordo para que os descontentes disputassem as eleições pela sigla para ajudar o partido a cumprir a cláusula de barreira e pudessem sair depois.

Para trocar de sigla, aqueles que foram eleitos pelo sistema proporcional (deputados estaduais, federais e vereadores) precisam de uma carta de anuência da direção para não perder o mandato sob a acusação de infidelidade partidária. Isso ocorre porque a Justiça Eleitoral considera, nesses casos, que o mandato pertence ao partido e não ao candidato.

A exceção é quando o partido não supera a cláusula de barreira, que garante acesso aos recursos do fundo partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão. Seria o caso do PSOL, que inicialmente não havia cumprido os critérios , mas que atingiu a cláusula após decisão da Justiça Eleitoral.

A parte alinhada à direção da sigla alega que, passada a eleição, todos os que integram a Revolução Solidária decidiram sair do partido, incluindo quadros que não constavam no acordo inicial —como deputados estaduais eleitos e vereadores.

Já entre os integrantes da Revolução, o entendimento sempre foi de que o grupo sairia em peso quando o pleito terminasse. Eles avaliam que a debandada deve começar em fevereiro de 2027, após os parlamentares eleitos tomarem posse.

O partido elegeu 14 deputados federais e 27 estaduais e distritais, dos quais 6 federais e 8 estaduais são do grupo dissidente. Na Câmara, Erika e o deputado federal eleito Rick Azevedo (RJ), juntos, puxaram cinco vagas a mais para o partido com suas votações.

Guilherme Boulos, que não se candidatou nestas eleições, recebeu 1 milhão de votos quando disputou a Câmara em 2022, sendo o deputado mais votado de São Paulo naquele ano.

Rick, que era vereador do Rio e encampou a pauta do fim da escala 6x1, recebeu 191 mil votos. A lista de possíveis saídas inclui ainda os deputados federais eleitos Luciene Cavalcante (SP), Natália Boulos (SP) e Pastor Henrique Vieira (RJ). Luciene recebeu 253 mil votos, Natália, 114 mil, e Vieira, 77 mil.

Entre os deputados estaduais eleitos, são citados outros campeões de votos como Sofia Favero (407 mil votos) e Carlos Giannazi (367 mil), a terceira e o quarto mais votados para a Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), além de Renata Souza (176 mil), terceira mais votada para a Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro ).

Também entram na lista da Revolução Solidária os deputados estaduais Ediane Maria (SP), que recebeu 170 mil votos, Dani Monteiro (RJ), com 55 mil votos, Yuri Moura (RJ), 43 mil votos, e Leo Suricate (CE), 39 mil votos.

Apesar disso, Paula Coradi disse que não tem receio de que o PSOL encolha caso esses quadros saiam porque o partido possui "dinamismo e capacidade de produzir novidades".

Erika Hilton (SP): 1,5 milhão de votos

Luciene Cavalcante (SP): 253 mil votos

Pastor Henrique Vieira (RJ): 77 mil votos

Carlos Giannazi (SP): 367 mil votos