A mobilização também envolve a Polícia Federal, acionada para apurar ameaças e possíveis crimes contra integrantes do povo Guarani Kaiowá . A medida busca identificar os responsáveis e contribuir para a segurança das comunidades afetadas.
Neste sábado (31/10), três ministros têm visitas previstas às aldeias Taquapery , em Coronel Sapucaia, e Sassoró , em Tacuru. A agenda inclui conversas com moradores e lideranças indígenas para acompanhar a situação.
A resposta ocorre depois que a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) contabilizou mais de 30 denúncias de violência relacionadas ao processo eleitoral no estado. Os relatos incluem intimidações, agressões e suspeitas de ataques que ainda dependem de apuração.
O Ministério dos Povos Indígenas , o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e o Ministério da Igualdade Racial passaram a atuar conjuntamente para encaminhar as denúncias e solicitar investigações.
Além da força-tarefa, o Ministério Público Federal (MPF) instaurou procedimentos próprios para verificar as acusações. As apurações incluem o município de Tacuru, onde circularam gravações com supostas ameaças de envenenamento da água utilizada por comunidades indígenas.
Em 28 de outubro , o MPF informou ter solicitado esclarecimentos à prefeitura sobre a autenticidade dos áudios e as medidas de segurança adotadas. O órgão também recomendou providências administrativas caso fossem encontrados indícios consistentes de participação de servidores municipais.
O trabalho de apuração inclui distinguir crimes efetivamente identificados de informações ainda não comprovadas. Em Naviraí, por exemplo, o MPF verificou relatos de supostos homicídios de indígenas e identificou que imagens associadas às denúncias circulavam fora de contexto.
Segundo o órgão, as informações levantadas pelas autoridades locais não confirmaram a relação do episódio investigado com ataques políticos ou étnicos contra indígenas. Essa verificação evita que informações falsas sejam incorporadas às investigações.
Em outro caso, a Apib denunciou o incêndio da residência de uma rezadeira indígena de 90 anos, na aldeia Jaguapiré, em Tacuru, na quinta-feira (29). A entidade classificou o episódio como criminoso e relatou a destruição de objetos utilizados em rituais tradicionais.
A proteção aos indígenas também depende do encaminhamento de relatos aos órgãos responsáveis. Qualquer pessoa que presencie ou tenha conhecimento de violações de direitos humanos pode registrar uma denúncia, mesmo sem ser diretamente afetada.
O Disque Direitos Humanos, pelo número 100 , funciona gratuitamente, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana. O serviço aceita denúncias anônimas, fornece protocolo e encaminha os relatos aos órgãos competentes.
Enquanto as investigações continuam , a presença federal nos territórios e os procedimentos abertos constituem medidas verificadas. Ainda não há confirmação de que as ameaças tenham cessado. Para as comunidades, a continuidade da proteção aos indígenas dependerá da atuação dos órgãos de segurança e do andamento das apurações.