Prorrogação inédita de votação após relatos de falta de ônibus pode levar a contestações jurídicas

Marcada por confusão, a inédita prorrogação do pleito deste domingo (25), após relatos de falta de transporte público em algumas cidades do país, pode acabar desembocando em um cenário de contestação judicial.

Por Admin ·

Prorrogação inédita de votação após relatos de falta de ônibus pode levar a contestações jurídicas

Ao longo do domingo, tanto a campanha de Lula ( PT ) quanto a de Flávio Bolsonaro (PL) entraram com pedidos no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para estender o tempo de votação em algumas localidades pelo país.

Ao final, a decisão de prorrogação veio do STF (Supremo Tribunal Federal), em uma decisão monocrática do ministro Cristiano Zanin , que determinou que a votação deveria ser estendida até as 19h em todo o país, acatando pedido da campanha petista.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques , afirmou, após a confirmação da vitória do presidente Lula, que a prorrogação no prazo de fechamento das urnas não causou problemas na totalização dos votos.

"Mesmo diante de todas essas circunstâncias, adotamos todas as providências que se fizeram necessárias e fomos absolutamente exitosos. Volto a dizer, não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial", disse.

Do lado de Flávio, ainda antes do resultado da eleição, já eram usados termos como intervenção e "golpe do Judiciário". O senador Rogério Marinho ( PL -RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, afirmou ser "impressionante o nível de intervenção de alguns ministros do STF ", após a decisão de Zanin.

"Espero sinceramente que o bom senso prevaleça e qualquer golpe judiciário ou chicana administrativa não prospere pelo bem da democracia", disse pelas redes sociais.

Ministros do TSE e do STF ouvidos pela Folha veem erros das duas cortes ao lidar com o pedido de prorrogação do horário de votação e aguardam contestações por parte da campanha perdedora, independentemente de quem for.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que a prorrogação da votação beneficiava o presidente Lula, que aparecia atrás nas pesquisas de intenção de voto, e disse que, se Flávio perdesse, o PL questionaria o resultado.

O deputado federal Marcel Van Hattem (Novo), eleito senador no Rio Grande do Sul, afirmou que Zanin deu um golpe nas eleições com a prorrogação da votação e disse que Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, deveria "enquadrá-lo imediatamente".

Integrantes da campanha petista, por sua vez, avaliaram que o TSE demorou para decidir sobre a prorrogação do tempo de votação, argumentando que teria havido um boicote na redução do transporte público em diferentes estados do país.

A ordem de Zanin acabou por gerar confusão . Em muitos casos a informação sobre a extensão só chegou após as 17h, quando urnas já haviam sido encerradas e contabilizadas , com a impressão de boletins de urna. Com isso, apesar da decisão, há diversos relatos de eleitores que chegaram após as 17h às escolas e não conseguiram votar.