"Tive a audácia de ir contra a opinião de quem achava que podia me rotular", recorda ela.
Dez anos depois, a professora de 39 anos, mestre em Administração pela Universidade Federal do Ceará (UFC), não só provou que a profecia estava errada como construiu um método de inclusão produtiva voltado para a gestão de novos negócios.
A Social Brasilis, negócio de impacto social fundado por ela em 2015, completou uma década como uma das principais pontes entre a população invisibilizada e a Indústria 4.0.
A edutech já formou mais de 60 mil pessoas em 11 cidades de oito estados — do sertão cearense às comunidades quilombolas do Vale do Jequitinhonha (MG) e à Amazônia.
E tem consagrado a trajetória de Manú, marcada pela ruptura de destinos pré-traçados. Mulher parda de traços indígenas, criada em Quixadá (CE), ela é neta de uma empregada doméstica analfabeta. Em uma família na qual a avó teve 13 filhos e mais de 20 netos, Manú foi a única a alcançar o ensino superior público e ostentar um título de pós-graduação.
"Venho de uma realidade em que a resiliência é um imperativo de sobrevivência. O sertanejo nasce empreendendo soluções para desafios históricos, como a seca", diz. "Cresci sem ver pessoas como eu em altos patamares. O conceito de empreendedorismo era utópico para mim, a imagem do empreendedor nunca parecia comigo."
Seu bioma emocional permanece fincado na caatinga. "Minha simbologia é a flor do mandacaru, aquela que se abre para anunciar as chuvas no sertão. Ela diz muito sobre o trabalho que eu faço."