Produtividade é esquecida na campanha

A política fiscal tem sido, corretamente, a tônica da preocupação do mercado. Há um ajuste imediato a fazer e muitas dúvidas sobre o que o candidato que vencer as eleições fará. Mas outro grande desafio está em geral ausente do debate eleit

Por Admin ·

Produtividade é esquecida na campanha

A política fiscal tem sido, corretamente, a tônica da preocupação do mercado. Há um ajuste imediato a fazer e muitas dúvidas sobre o que o candidato que vencer as eleições fará. Mas outro grande desafio está em geral ausente do debate eleitoral : a produtividade.

Tanto Flávio Bolsonaro ( PL ) quanto Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) pouco ou nada falaram sobre o tema —o senador, crítico da política econômica petista, apresentou um plano de governo em que a palavra "produtividade" quase não aparece.

Os dados desse indicador são tão expressivos quanto os fiscais para evidenciar o atraso do país.

Segundo o Penn World Table 11.0, o Brasil tinha 37% do PIB per capita americano em 1980, em paridade de poder de compra, ante 25% em 2023, o ano mais recente da série histórica.

A estagnação da produtividade é uma das causas. Em 1954, a brasileira correspondia a 51% da americana e, em 2023, a 50%. Perdemos ainda mais em comparação com outros países. A taxa da Coreia do Sul era de 25% ante os EUA em 1954 e, hoje, é de 66%.

A maioria dos países desenvolvidos e especialmente dos emergentes avançou em produtividade, com poucos estagnados em patamares tão baixos —o mais próximo disso são as Filipinas.

Nessa reta final de campanha, seria importante conhecer as propostas dos presidenciáveis.

Num mundo climaticamente hostil, qual é a abordagem para aumentar a produtividade? Como lidar com a inteligência artificial num país com baixos níveis educacionais ? Como conter o impacto do envelhecimento populacional e a diminuição do número de jovens, estrato essencial à atividade econômica?

Boa parte dos países da OCDE criou agências de produtividade; adensar as vantagens comparativas no que, de fato, somos capazes de avançar —como powershoring, minerais críticos, bioeconomia, entre outros— é medida recomendada por pesquisadores da Fundação Dom Cabral, uma das principais escolas de negócios da América Latina.

Outras ações incluem o avanço nos acordos comerciais, que ampliam o acesso a insumos e bens de capital necessários para alavancar a competitividade das exportações, e a preservação da reforma tributária, evitando a sua descaracterização, como a campanha de Flávio às vezes sinaliza. Por fim, fazer o básico: melhorar a educação e a infraestrutura.

Como disse Paul Krugman, produtividade não é tudo, mas, no longo prazo, é quase tudo, e isso deveria ser o mote para qualquer um que assuma a Presidência.