Já o Santander registrou queda de 2% no lucro líquido
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Londres, Paris, Zurique (Suíça) e Frankfurt (Alemanha) | Financial Times Os bancos UBS, Deutsche Bank e BNP Paribas aumentaram os lucros no terceiro trimestre, beneficiados por fortes entradas de recursos de clientes de alta renda e pela resiliência das atividades de banco corporativo e de investimento.
Os três bancos divulgaram nesta quarta-feira (28) lucros que atenderam ou superaram as expectativas dos analistas, em um trimestre sólido para as instituições financeiras europeias, mas não conseguiram igualar os ganhos excepcionais registrados pelos rivais de Wall Street nas últimas semanas.
O UBS informou uma alta de 8% no lucro líquido, para US$ 2,7 bilhões (R$ 14,44 bilhões), com sua área de gestão de patrimônio se beneficiando de fortes entradas de recursos na região da Ásia-Pacífico e nas Américas. O banco de investimento da instituição suíça também foi impulsionado pelo aumento das negociações com ações.
O Deutsche Bank registrou lucro líquido trimestral recorde de 1,9 bilhão de euros (R$ 11,32 bilhões), alta de 2% em relação ao ano anterior, uma vez que o forte desempenho do banco corporativo ajudou a compensar receitas mais fracas no banco de investimento.
O BNP Paribas informou um aumento de 13,5% no lucro líquido, para 3,5 bilhões de euros (R$ 20,85 bilhões), enquanto as receitas de suas operações com ações e serviços de prime brokerage dispararam 50%. O banco francês também anunciou uma recompra de ações de 1,3 bilhão de euros (R$ 7,74 bilhões), em sinal de confiança em suas perspectivas, enquanto investidores internacionais demonstram preocupação com o orçamento e as finanças públicas do país.
Os resultados mostram como o setor bancário europeu, que há vários anos desfruta de lucros elevados e valorização das ações, continuou a gerar retornos sólidos diante de um cenário econômico e geopolítico mais difícil.
No entanto, embora a gestão de patrimônio e as operações de mercado tenham impulsionado os resultados de alguns dos maiores bancos do continente, essas instituições tiveram dificuldade para igualar os ganhos extraordinários obtidos por seus rivais de Wall Street nos últimos trimestres.
O BNP, que superou as projeções de lucro dos analistas, afirmou que seu banco de investimento teve um trimestre forte, com recuperação da atividade entre clientes europeus após meses de incerteza em relação à guerra no Oriente Médio.
O banco afirmou que seu índice de capital principal superaria a meta de 13% no fim do ano, permitindo a devolução de recursos aos acionistas apesar dos desafios políticos enfrentados pelos bancos franceses, vistos como um reflexo da economia mais ampla do país.
O nervosismo dos investidores em relação à situação fiscal da França, aos protestos de rua e à incerteza em torno da eleição presidencial do próximo ano levou recentemente os custos de financiamento de longo prazo do país a superar 5% pela primeira vez desde 2002.
O UBS registrou Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 3,6 bilhões (R$ 19,26 bilhões), alta de 27% em relação ao ano anterior, enquanto as receitas avançaram 5%, para US$ 13,4 bilhões (R$ 71,67 bilhões). O lucro antes dos impostos ajustado, de US$ 4,1 bilhões (R$ 21,93 bilhões), superou a previsão dos analistas, de US$ 3,8 bilhões.
O banco reiterou seu compromisso com seu modelo de negócios global em meio a um debate político cada vez mais acalorado sobre propostas para impor exigências de capital mais rigorosas à instituição.
O presidente-executivo Sergio Ermotti pediu aos legisladores que encontrem uma solução capaz de proteger a estabilidade financeira sem impor "custos indevidos" a acionistas, clientes e funcionários.
O UBS afirmou que planeja concluir seu programa de recompra de ações de US$ 3 bilhões (R$ 16,05 bilhões) antes da divulgação dos resultados anuais, em fevereiro, embora futuras distribuições continuem dependendo do desfecho do debate no Parlamento suíço.
O banco corporativo do Deutsche Bank foi o principal destaque, enquanto a instituição registrou alta de 4% na receita do terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, para 8,3 bilhões de euros (R$ 49,45 bilhões). O lucro líquido aumentou 2%, para 1,9 bilhão de euros, superando as expectativas dos analistas.
O banco alemão também registrou uma provisão de 501 milhões de euros (R$ 2,98 bilhões) para possíveis perdas com empréstimos, um aumento de 20% atribuído, em parte, a um "evento idiossincrático" na Ásia. Segundo pessoas a par do assunto, isso estava relacionado à exposição do banco a um suposto esquema de notas fiscais falsas envolvendo a Radiant World, empresa de comércio de minério de ferro sediada em Singapura.
A melhora no desempenho ocorre após uma iniciativa do presidente-executivo Christian Sewing para reduzir a dependência das voláteis receitas do banco de investimento. O Ebitda aumentou 11%, para 743 milhões de euros (R$ 4,43 bilhões), sustentado por receitas maiores com gestão de caixa e pagamentos.
Grupo Euro17 pede recuperação judicial com dívida de R$ 1,7 bilhão e mais de 5.000 credores
Barclays cortará 5.000 empregos com avanço do uso de IA
Citi e Bank of America são mais dois bancos dos EUA a restringir acesso de IA a contas de clientes
As receitas do banco de investimento caíram 2%, para 2,9 bilhões de euros (R$ 17,28 bilhões), em meio ao enfraquecimento das negociações de crédito, embora o lucro antes dos impostos tenha subido 12%, ajudado por menores despesas com litígios.
O Santander registrou queda de 2% no lucro líquido do terceiro trimestre, para 3,43 bilhões (R$ 20,43 bilhões), uma vez que encargos superiores a 400 milhões de euros ligados a aquisições recentes nos Estados Unidos e no Reino Unido afetaram o resultado final do banco espanhol.
No entanto, o lucro ajustado aumentou 19%, para 3,85 bilhões de euros (R$ 22,94 bilhões), superando as expectativas dos analistas. O desempenho do banco espanhol foi impulsionado pelo primeiro trimestre completo de resultados do recém-adquirido banco britânico TSB e por uma contribuição inicial do banco americano Webster Financial.
Assim como o UBS, o Standard Chartered também registrou aumento no lucro do terceiro trimestre, impulsionado por suas áreas de gestão de patrimônio e mercados. O banco, com sede em Londres, informou que a receita de sua divisão de patrimônio cresceu 25% em comparação com o mesmo período de 2025.
O banco voltado para a Ásia elevou suas projeções após registrar Ebitda de US$ 2,3 bilhões no terceiro trimestre, alta de 27% na comparação anual e acima do consenso dos analistas, de US$ 2 bilhões. As receitas aumentaram 13%, para US$ 5,8 bilhões (R$ 31,02 bilhões).
O StanChart elevou sua projeção para 2026 de retorno sobre o patrimônio líquido tangível para "cerca de 14%", ante "mais de 12%". Também aumentou sua previsão de receita operacional. As ações do banco subiram 7% em Hong Kong, elevando a valorização no ano para mais de 16%.
A reação inicial do mercado na Europa foi mista: as ações do Deutsche Bank subiram 3,7%, enquanto as do UBS e do BNP Paribas caíram 1,9% e 0,6%, respectivamente. O Santander teve o pior desempenho entre o grupo de bancos que divulgaram resultados nesta quarta-feira, com queda de 3,4% no início das negociações em Madri.
Simon Foy, Sarah White, Florian Müller, Mercedes Ruehl e Arjun Neil Alim