Presidente de Israel escolhe Gadi Eisenkot, rival de Netanyahu, para tentar formar governo

O presidente de Israel escolheu, neste sábado (7), Gadi Eisenkot, o principal rival do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu , para tentar formar um novo governo após uma eleição inconclusiva que não deixou nenhum dos dois com um caminho claro para chegar ao po

Por Admin ·

Presidente de Israel escolhe Gadi Eisenkot, rival de Netanyahu, para tentar formar governo

Netanyahu, o líder que há mais tempo governa Israel, luta para permanecer no cargo depois que sua coalizão nacionalista-religiosa perdeu a maioria nas eleições de 27 de outubro, embora ainda tenha emergido como o maior bloco no Parlamento.

Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas, recusou-se a unir forças com os partidos árabes, com cujo apoio teria a maioria das cadeiras no Parlamento. Ainda assim, os líderes árabes, indignados com o que consideram políticas racistas de Netanyahu e de seus aliados de extrema direita, indicaram Eisenkot para ser o primeiro a tentar formar um governo —o que lhe garantiu o maior número de apoios .

"O presidente Herzog convidou Gadi Eisenkot para a Residência Presidencial, onde amanhã receberá a tarefa de formar o governo", afirmou o porta-voz do presidente Isaac Herzog , cujo papel, em grande parte cerimonial, inclui indicar um candidato para formar uma coalizão após as eleições.

A indicação de Eisenkot deverá ser seguida por semanas de negociações prolongadas. Ele terá 28 dias para tentar formar um governo, com uma possível prorrogação de 14 dias.

Entre seus possíveis caminhos para chegar ao poder estão tentar formar um governo minoritário com apoio externo dos partidos árabes; compor uma coalizão com partidos ultraortodoxos, rejeitados por ele e seus aliados no passado; ou formar um governo de unidade com Netanyahu.

Analistas afirmam que é improvável que qualquer uma das três opções se concretize. Se Eisenkot fracassar, outro candidato poderá tentar formar um governo e, caso este também fracasse, o Parlamento poderá indicar outro nome. O processo tem um prazo de cerca de 100 dias. Se ninguém conseguir, uma nova eleição será realizada.

O Likud conquistou o maior número de cadeiras entre todos os partidos, com 27 das 120 vagas do Knesset, mas a coalizão nacionalista-religiosa mais ampla de Netanyahu obteve apenas 53 no total, abaixo das 61 necessárias para a maioria.

O partido Yashar, de Eisenkot, emergiu como a segunda maior legenda, com 21 cadeiras, enquanto sua coalizão, formada por quatro partidos liderados por judeus e que abrangem da centro-esquerda à direita, conquistou apenas 48. Dois partidos que representam a minoria árabe de Israel obtiveram um número sem precedentes de 19 cadeiras.

Filho de imigrantes marroquinos, Eisenkot, de 66 anos, seria o primeiro chefe de governo do país oriundo da comunidade mizrahi de Israel, formada por judeus cujas raízes remontam ao Oriente Médio e ao Norte da África.

Reservado e avesso à mídia, Eisenkot só ingressou na política em 2022. Ele integrou brevemente o gabinete de guerra de Netanyahu após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, antes de retornar à oposição.

Na oposição, repreendeu publicamente Netanyahu por sua liderança, inclusive pela condução da campanha militar em Gaza , e jurou que não integraria um governo ao lado dele.

A imagem pública de Eisenkot também está ligada ao preço pessoal pago por sua família desde 2023: um filho e dois sobrinhos morreram combatendo em Gaza.

Eisenkot destacou suas credenciais na área de segurança durante a campanha, citando sua "doutrina Dahiyeh", de responder a ataques com força desproporcional, que empregou como comandante durante a guerra de Israel contra o Hezbollah , apoiado pelo Irã , no Líbano, em 2006.

Eisenkot criticou a violência de colonos contra palestinos, que aumentou desde 2023, elevando as tensões nas relações de Israel com países ocidentais. Ele também se opõe aos parceiros de extrema direita da coalizão de Netanyahu, Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, ambos alvo de sanções de alguns países ocidentais por incitarem a violência contra palestinos .