Preocupado com o resultado da eleição? Como seguir em frente caso seu candidato saia derrotado

25/10/2026 04h30 Atualizado 25/10/2026 04h30 Na manhã seguinte a cada eleição, milhões de pessoas cujo lado foi derrotado começam o dia sentindo-se desanimadas. Foi o que aconteceu com os apoiadores do Partido Trabalhista após a eleição d

Por Admin ·

Preocupado com o resultado da eleição? Como seguir em frente caso seu candidato saia derrotado

25/10/2026 04h30 Atualizado 25/10/2026 04h30

Na manhã seguinte a cada eleição, milhões de pessoas cujo lado foi derrotado começam o dia sentindo-se desanimadas.

Foi o que aconteceu com os apoiadores do Partido Trabalhista após a eleição de 2019 no Reino Unido, quando a notícia da ampla vitória eleitoral do Partido Conservador levou muitos a recorrer às redes sociais para expressar seu desespero.

Curiosamente, os resultados de eleições anteriores no Reino Unido não tiveram um efeito perceptível no bem-estar subjetivo geral em nível nacional; contudo, a situação é diferente para aqueles que se identificam fortemente com um partido. Pesquisas recentes revelaram que indivíduos com forte alinhamento político sofrem uma queda acentuada em seu nível de felicidade quando seu partido perde uma eleição.

Os apoiadores do partido que vence a eleição tendem a ficar mais felizes. No entanto, esse aumento no nível de felicidade costuma ser pequeno. Em contrapartida, aqueles que apoiaram o partido derrotado sofrem um impacto muito maior em seu bem-estar. Isso não é surpreendente: psicólogos sabem, há tempos, que sofremos muito mais com perdas do que desfrutamos de ganhos de magnitude equivalente.

A sensação de angústia de quem perde pode durar muito mais do que a alegria da vitória de quem ganha. Uma análise da eleição presidencial dos EUA de 2016 constatou que a vitória de Donald Trump proporcionou aos seus eleitores um aumento de felicidade de curta duração: em seis meses, a alegria da vitória havia se dissipado, e os apoiadores retornaram aos níveis de felicidade que apresentavam antes do pleito. Por outro lado, aqueles que apoiaram Hillary Clinton relataram, seis meses após a eleição, um nível de felicidade ainda inferior ao que sentiam antes da disputa. Entre os apoiadores de Clinton, aqueles que dedicaram mais tempo ao consumo de mídia foram os que apresentaram os piores resultados.

Um estudo realizado no Japão em 2015 indicou que as alterações nos níveis de felicidade após uma derrota eleitoral duravam apenas alguns dias. Contudo, as pessoas que sofreram os maiores impactos tendiam a nutrir expectativas irreais sobre o desempenho de seu candidato. Isso sugere que, quanto maior a esperança, maior a queda.

A sensação de angústia decorrente de uma derrota eleitoral pode ter repercussões mais amplas. Quando um candidato com o qual nos identificamos perde, é provável que comecemos a questionar a própria legitimidade do processo eleitoral. Isso pode minar a confiança de quem perdeu nas instituições básicas da democracia. Se deixamos de confiar em nossas instituições políticas, frequentemente passamos a buscar alternativas — como movimentos sociais — para fazer com que nossas vozes sejam ouvidas.

O desespero de uma derrota eleitoral traz consequências ainda maiores para aqueles que se candidataram. Candidatos derrotados enfrentam um grande desafio em relação à própria autoimagem. Eles precisam encontrar uma forma de preservar sua dignidade diante da derrota. Para isso, costumam transferir a culpa de si mesmos para circunstâncias que fogem ao seu controle.

Embora isso possa proporcionar um alívio imediato, pode não ser benéfico a longo prazo. Um estudo recente sobre disputas eleitorais acirradas nos Estados Unidos revelou que os candidatos derrotados vivem, em média, cerca de um ano a menos do que aqueles que venceram por uma margem estreita.

Lidar com a decepção decorrente de uma derrota política pode ser difícil. O falecido sociólogo e psicanalista Iain Craib observou que existem problemas significativos na maneira como lidamos com decepções no mundo moderno. Diante de uma frustração, muitas pessoas optam pelo distanciamento: afastam-se daquilo com que antes se importavam e depositam suas esperanças em outro lugar.

Por exemplo, após uma derrota política, um militante pode transferir seus sonhos de um mundo melhor — antes vinculados ao seu candidato — para o ativismo comunitário. Embora isso possa trazer um consolo temporário, Craib notou que, muitas vezes, tal atitude acaba prendendo o indivíduo em um ciclo recorrente de decepções.

Isso significa que a pessoa passa de um projeto para outro, de um relacionamento para outro, sem nunca questionar, de fato, suas próprias esperanças e fantasias. Como nunca enfrentam suas decepções, essas pessoas permanecem presas a um ciclo interminável que, frequentemente, culmina em desespero, afastamento e na busca incessante por algo novo.

Para romper esse ciclo, Craib defendia que as pessoas precisam encarar suas próprias decepções. É necessário questionar o que elas nos revelam sobre quem somos, o que valorizamos e o que podemos mudar. Segundo Craib, ao abordar essa questão com seriedade, é possível transformar a decepção da derrota em uma oportunidade para refletir, reajustar-se à nova realidade e, finalmente, seguir em frente.

*Andre Spicer é professor de Comportamento Organizacional, Cass Business School, City St George's, Universidade de Londres

*Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.

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