Premier de Israel ordena

Por O Globo, com agências internacionais — Hebron, Cisjordânia 23/10/2026 07h42 Atualizado 23/10/2026 10h50 O primeiro-ministro de Israel , Benjamin Netanyahu , ordenou nesta sexta-feira preparativos para o "fechamento total" da Cisjordân

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Premier de Israel ordena

Por O Globo, com agências internacionais — Hebron, Cisjordânia

23/10/2026 07h42 Atualizado 23/10/2026 10h50

O primeiro-ministro de Israel , Benjamin Netanyahu , ordenou nesta sexta-feira preparativos para o "fechamento total" da Cisjordânia após um ataque armado perto de um posto de controle em Hebron, no sul do território ocupado desde 1967, que deixou dois militares israelenses mortos e outros três feridos. Os atiradores foram mortos na troca de tiros de mais de 20 minutos, em um incidente que ocorre a quatro dias das eleições legislativas no Estado judeu — um pleito chave para a sobrevivência política do premier.

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Depois de uma avaliação preliminar, as Forças Armadas de Israel (FDI, na sigla em Inglês) disseram acreditar que os atiradores vestidos de preto, um deles armado com um fuzil e o outro com uma pistola, planejavam lançar um ataque maior contra civis, mas, ao perceber que não conseguiriam alcançar um determinada estrada, decidiram abrir fogo contra o posto de controle temporário. Autoridades inicialmente mencionaram cinco feridos, dois deles com gravidade. O Exército confirmou a morte de dois militares horas depois.

Premier de Israel ordena 'fechamento total' da Cisjordânia após ataque a tiros

O ataque não foi reivindicado por grupos palestinos inicialmente, mas o Hamas classificou o incidente como uma "operação heroica". Uma fonte no terreno estimou em cerca de 20 minutos a duração da troca de tiros.

O ataque ocorreu às vésperas das eleições legislativas israelenses, previstas para terça-feira, em um contexto de aumento das tensões na Cisjordânia ocupada. Netanyahu, que aspira um novo mandato como chefe de governo, ordenou o "fechamento imediato" da cidade de Hebron e pediu ao Exército que se prepare para impor um "fechamento total" da Cisjordânia. O premier, que tem se apoiado na pauta da segurança e na ampliação do uso de força militar contra os aliados regionais como um trunfo político, pediu ao seu partido, o conservador Likud, para cancelar todos os eventos que estavam programados para esta sexta-feira.

Em um comunicado emitido pelo seu Gabinete, o premier afirma que as forças de segurança evitaram "um ataque de grande amplitude". A informação foi corroborada pelo Exército israelense, que informou que um veículo usado pelos atiradores foi localizado, e estava carregado com "uma grande quantidade de munição", indício de que se destinava a um "ataque em uma escala muito maior".

— Este foi um ataque terrorista grave — disse o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, o tenente-general Eyal Zamir, após uma avaliação da situação. — A rápida ação dos combatentes evitou um ataque ainda mais grave e maiores danos a civis e forças de segurança.

Líderes dos partidos de extrema direita que compõem a coalizão governista de Netanyahu usaram o incidente para reiterar argumentos a favor da ocupação do território palestino e da manutenção das operações militares. O ministro das Finanças Bezalel Smotrich disse ter ordenado a demolição de prédios próximos ao local do ataquem referindo-se a "construções árabes ilegais" adjacentes à área, acrescentando que a ordem seria "cumprida na próxima hora e se estenderá ao longo da tarde". O ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, esteve na área, e avançou contra a liderança palestina.

— Não é necessário esperar que aconteça outro 7 de outubro [na Cisjordânia] — declarou o ministro, ao comparecer ao local do ataque. — É lá que vai explodir a próxima guerra. A Autoridade Palestina deve ser desmantelada e desmilitarizada.

O Exército israelense anunciou "operações antiterroristas" nas residências dos supostos agressores "e de outros suspeitos", assim como no local do ataque — uma área que foi "isolada" — e em "outras zonas" do território palestino.

O ataque aconteceu em um posto de controle do Exército, em um cruzamento ao norte de Hebron, uma cidade dividida em dois setores: um controlado pelas autoridades palestinas e outro, onde vivem colonos israelenses, pelas Forças Armadas israelenses. O território palestino mais ao norte tem sido palco de grandes tensões entre agricultores palestinos e colonos extremistas israelenses, estes que têm impedido o acesso dos produtores a suas terras e a colheita de azeitonas — uma tradição milenar e um importante rito cultural palestino, além de fonte essencial de renda para aldeias.

Nas últimas semanas, os ataques não têm se limitado aos palestinos proprietários das terras. Colonos israelenses atacaram e feriram gravemente a jornalista Heidi Levine , do Washington Post, que cobria a temporada de colheita e atacaram um grupo de autoridades e diplomatas europeus .

Ao menos 96 palestinos foram mortos por forças israelenses ou colonos na Cisjordânia desde o início do ano, segundo a ONU. Quatro israelenses — incluindo integrantes das forças de segurança e civis — foram mortos por palestinos na região durante o mesmo período. (Com AFP)

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