As informações constam de um ofício de 29 de outubro, assinado por representantes da Secretaria Municipal de Segurança Urbana e da Controladoria Geral do Município, obtido pela Folha . O documento responde a uma cobrança da agência por esclarecimentos sobre a exposição de dados do sistema.
Segundo a prefeitura, as 178 contas correspondiam a 2,73% dos 6.529 usuários identificados em um repositório externo —um espaço de armazenamento de arquivos na internet. A resposta não especifica qual era o padrão de senha encontrado.
A administração ressalva que o número não representa a quantidade de contas acessadas indevidamente. Afirma que os registros técnicos apresentados pelo Consórcio Smart City SP, operador do programa, relacionaram diretamente uma conta ao episódio investigado.
Em nota à reportagem, a gestão ressaltou que o programa segue operando regularmente. "Cabe destacar que o incidente está relacionado a um vazamento ilegal de dados e não há sinais de ataque externo ao sistema."
As falhas de segurança no programa foram reveladas pelo UOL em 20 de outubro. A reportagem mostrou que informações disponíveis na internet permitiam acessar imagens de câmeras do programa, inclusive em creches e unidades de saúde. Na ocasião, Nunes afirmou que o sistema era seguro e negou uso indevido .
Nesta terça-feira (3), o colunista Artur Rodrigues revelou outra falha, envolvendo acesso a imagens de 17 mil câmeras de empresas parceiras do Smart Sampa . Sobre esse episódio, a prefeitura afirmou que os links estavam em uma planilha confidencial, negou sinais de ataque e anunciou a investigação do envio do arquivo à imprensa.
Na resposta à ANPD, a prefeitura relata a retirada de funcionalidades administrativas que permitiam cadastrar senhas fora dos padrões estabelecidos. Informa também ter tornado obrigatórias a troca de senhas e a autenticação multifator, que exige uma verificação adicional para entrar no sistema.
As novas senhas devem ter ao menos 14 caracteres, incluindo letras maiúsculas e minúsculas, números e símbolos. O ofício também relaciona entre as medidas o reconhecimento facial obrigatório para acessar a plataforma.
Embora afirme que a funcionalidade de autenticação multifator já existia, a gestão informa que sua obrigatoriedade para todos os usuários, sem exceções, integrou o reforço dos controles após o episódio.
A prefeitura mantém a versão de que o incidente teve origem na publicação de informações vinculada a um guarda municipal que possuía acesso legítimo à plataforma. Segundo o documento, o servidor foi afastado e é investigado pela Corregedoria da GCM (Guarda Civil Metropolitana) e pela Polícia Civil.
A administração afirma que não encontrou indícios de quebra de senhas ou de ataque por tentativas automatizadas em massa. Sustenta que foram usadas credenciais válidas em acessos não autorizados e nega ter identificado logins e senhas publicados no repositório.
Segundo a gestão, a conta relacionada ao episódio permitia visualizar câmeras, sem acesso administrativo irrestrito nem possibilidade de alterar as bases oficiais integradas ao programa.