A reportagem acompanha o caso desde 30 de setembro. Os primeiros relatos de moradores, que buscaram atendimento médico devido a coceira intensa e manchas vermelhas pelo corpo, surgiram poucos dias antes.
Naquela data, a Prefeitura de Brodowski anunciou nas redes sociais a suspensão das aulas na rede municipal devido ao problema de origem desconhecida. O post também afirmava que apenas após o resultado da análise no Adolfo Lutz seria possível confirmar um diagnóstico (veja a publicação ao final deste texto).
No dia 1º de outubro, o prefeito Fábio Severi ( Podemos ) repetiu a informação em entrevista à Folha . Falou também sobre a expectativa de que os laudos saíssem no dia seguinte, mas que um pedido do instituto por relatórios complementares poderia atrasar o processo.
Ouça trecho da entrevista do prefeito:
A reportagem passou a cobrar reiteradamente a prefeitura sobre o resultado das análises, e a assessoria de imprensa respondia que os laudos não tinham sido liberados.
Na última terça-feira (20), a Folha pediu uma resposta também à Secretaria Estadual da Saúde , que responde pelo Adolfo Lutz. A pasta afirmou que, devido à ausência de sintomas graves de doenças de pele, não houve necessidade ou orientação para enviar amostras ao instituto.
Novamente procurada, a Prefeitura de Brodowski não explicou por que sustentou a informação falsa por dias. Em nota, afirmou que a hipótese inicial de doença exantemática (infecções que causam erupções cutâneas) a fez considerar o envio de material ao Adolfo Lutz. A ideia, porém, foi descartada depois, e as amostras foram encaminhadas a um laboratório particular.
"A Secretaria Municipal de Saúde reforça que a investigação epidemiológica é um processo dinâmico, no qual hipóteses diagnósticas e condutas são continuamente reavaliadas conforme o surgimento de novas evidências, reiterando seu compromisso com a transparência, o rigor técnico e a divulgação responsável das informações à população", diz trecho da nota da Prefeitura de Brodowski.
Para o advogado Emerson Rosa, especialista em saúde pública , a conduta da administração municipal abre margem para sanções do Legislativo.
"Se ficar comprovado que o prefeito passou informações falsas de forma consciente para ocultar uma omissão, poderá responder a processo político-administrativo perante a Câmara Municipal", afirma o advogado.
Até 16 de outubro, 235 pessoas procuraram atendimento na rede municipal de saúde de Brodowski com sinais e sintomas de problemas de pele —164 crianças e 71 adultos. Não há registro de agravamento dos quadros acompanhados.
No dia 6 de outubro, a Prefeitura de Brodowski já havia descartado a possibilidade de escabiose (sarna humana) após resultados de análises laboratoriais.
As autoridades afirmam que a investigação continua, e uma das principais hipóteses é de reção alérgica a pernilongos.
De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, o Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE) de Ribeirão Preto , que acompanha o caso, identificou focos de reprodução de mosquitos do gênero Culex na região, e as marcas na pele dos pacientes são compatíveis com alergia a picadas desses insetos.
Veja post da Prefeitura de Brodowski: