São os chamados "Luds", brincadeira com a palavra "ludita", as pessoas que caminham na contramão da tecnologia . Como quase tudo na jovem literatura de Odorico Leal , é uma piada autodepreciativa com coisa séria, uma melancolia doce e erudita cheia de piscadelas.
Não, ele não acha que um cenário assim é o destino inevitável das artes. "Luds" é, justamente, um exercício artístico —mais especulativo que fatalista.
"Minha inclinação foi escrever um pequeno pesadelo", diz o autor em seu apartamento na zona oeste de São Paulo. "Esse é o pior cenário possível para o nosso nicho."
Odorico, nascido na piauiense Picos há 43 anos, se consagrou como um contista respeitado já na sua obra de estreia, em 2024. "Nostalgias Canibais" , editado pela Âyiné, ganhou prêmios e elogios da crítica. Agora, em "Sonhos da Pessoa Física", ele ajusta melhor seu jogo de cintura na Todavia.
"Meu estilo fica numa linha tênue entre o coloquial literário médio e o pomposo", define. "Assim, se eu errar, se eu puser um pronome oblíquo a mais, uma palavra um pouco mais elevada, eu caio no pomposo."