Por que 'Calígula', de Tinto Brass, foi censurado e considerado o 'império da orgia'

"O mais polêmico e audacioso filme de todos os tempos: 'Calígula', o império da orgia ." Era assim que um empostado narrador anunciava, na TV aberta brasileira, a exibição de um filme sobre Roma Antiga na madrugada —naturalmente, não pelo s

Por Admin ·

Por que 'Calígula', de Tinto Brass, foi censurado e considerado o 'império da orgia'

O longa de 1979 do italiano Tinto Brass, morto nesta quarta-feira aos 93 anos , causou especial bafafá no Brasil em 1992, quando a rede Organizações Martinez —a mesma que exibia os berros justiceiros de Luiz Carlos Alborghetti — decidiu apelar para a audiência exibindo o filme numa programação com o sugestivo nome de Tensão Total. A vinheta era uma mulher rebolando em frente a uma grande letra T.

Com quase três horas, o longa foi dividido em duas partes pela emissora e, após um processo de obstrução na Justiça, só a primeira pôde ser exibida. Afinal, a versão editada que rodou o mundo em fitas clandestinas e DVDs de fundo de armário tinha closes de sexo oral e penetração que pareciam descolados do restante.

A produção tinha gabarito. Com roteiro de Gore Vidal, tem Malcolm McDowell, de "Laranja Mecânica", no papel-título, ao lado de Helen Mirren e Peter O'Toole, numa obra retrata o governo do imperador romano como uma grande bacanal de poder, luxo e sexo.

A produção, porém, era de Bob Guccione , criador da revista masculina Penthouse. Foi ele quem institiu nas surubas e decidiu por cenas explícitas após as filmagens principais. O trabalho acabou como um filme maldito para seus realizadores e estrelas —tanto que, à época do primeiro lançamento, Brass e Vidal tiraram seus nomes dos créditos.