A derrota de Donald Trump nas "midterms" da terça-feira (3), histórica que tenha sido em diversos aspectos, já tem sido tratada como obituário da onda renovada do populismo à direita, meros 21 meses e 16 dias da volta do republicano ao poder.
Por evidente, há elementos impressionantes na onda democrata, em particular a penetração em redutos antes vistos como inexpugnáveis, como o Texas.
Pesaram contra o presidente culpas exclusivas suas: a impopularidade de sua figura arrogante e mentirosa, e o impacto da guerra que decidiu lançar contra o Irã na economia cotidiana.
Mas a resposta do eleitorado não foi uniforme, o que sugere divisões na oposição para 2028. Há um crescimento do radicalismo à esquerda no Partido Democrata , e o Zohran Mamdani da vez é Abdul El-Sayed, primeiro muçulmano eleito senador.
A viabilidade eleitoral de um discurso mais radical em nível nacional, descontando que Mamdani acomodou-se com Trump ao fim, ainda é algo a ver. O sucesso mais vistoso , no Texas, se deu com um candidato a senador, James Talarico, que ostentava credenciais religiosas de um bom republicano.
Há outros exemplos de moderação e radicalismo país afora. Considerando que o extremismo já ocupa o poder na forma de Trump e seus herdeiros presumidos, como Marco Rubio e J.D. Vance, ainda é incerta a tonalidade da disputa em dois anos.
Isso dito, a perda de controle do Congresso é a regra, não a exceção para presidentes em meio de mandato na história recente. É um sinal saudável de que o abalado sistema de freios e contrapesos da democracia dos EUA não morreu ainda.
Ampliando o terremoto político para o cenário global, o que importa bastante quando são colocadas dúvidas acerca do rumo das guerras em que Trump está envolvido, o cenário tem ainda muitos matizes.
Na América Latina , que o presidente trata como seu quintal, a derrota republicana sugere um freio na onda que já havia batido num obstáculo com a reeleição de Lula (PT), há duas semanas.