Polícia indicia ex-vereador Milton Leite por ligação com empresas de ônibus controladas pelo PCC

A Polícia Civil de São Paulo indiciou o ex-vereador Milton Leite , que presidiu a Câmara Municipal por seis vezes e foi um dos políticos mais influentes dos últimos anos. Preso desde setembro, ele é acusado de ser controlador de empresas de

Por Admin ·

Polícia indicia ex-vereador Milton Leite por ligação com empresas de ônibus controladas pelo PCC

A Polícia Civil de São Paulo indiciou o ex-vereador Milton Leite , que presidiu a Câmara Municipal por seis vezes e foi um dos políticos mais influentes dos últimos anos. Preso desde setembro, ele é acusado de ser controlador de empresas de ônibus que possuem ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele nega as acusações.

Além de Leite, a polícia também denunciou outras 12 pessoas. Todas são investigadas por organização criminosa.

Quem é Milton Leite: ex-vereador alvo de operação da Polícia Civil que apura elo entre PCC e empresas de ônibus Regalias : Vereador foi transferido de cadeia após visitas fora do horário e outras benesses

Segundo o relatório que pediu o indiciamento e a conversão das prisões temporárias para preventivas, Leite é citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC.

"Somado a isso há declarações de policiais militares em procedimento junto ao Tribunal de Justiça Militar, que o mesmo seria o dono de fato da empresa Transwolf. Através de conteúdo compartilhado, tais suspeitas se solidificaram, sendo detectada atuação que ultrapassava os limites do mandato que exercia, sempre em benefício das empresas controladas e/ou sob influência do PCC", diz o relatório policial, obtido pelo GLOBO.

Segundo os investigadores, o ex-vereador, que demorou dois dias para ser preso após determinação da Justiça, usou o tempo para ocultar provas contra si.

"Ele teria se apresentado dias depois, tendo tempo hábil para ocultar e destruir provas. Possui alto poder econômico o que em tese permitiria se homiziar e se furtar a aplicação da lei penal por muito tempo. Aliado a isso, possui influência política elevada, sendo detectado no curso da sua prisão, que estaria mantendo contato com pessoas alheias à investigação, à revelia desta autoridade que preside o feito e do Ministério Público, aponta o delegado que conduz o caso.

Ele se refere ao fato de Leite ter obtido regalias enquanto esteve preso na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana. Em meados de outubro, uma denúncia anônima feita ao Ministério Público afirmou que o ex-presidente da Câmara teria sido beneficiado com visitas e outros benefícios incompatíveis com o cárcere na unidade. Entre as benesses estava o recebimento de alimentos, além da permanência de familiares e políticos no local, o que não é permitido.

Dias depois, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deu cumprimento a três mandados de busca e apreensão na unidade prisional e em outros endereços. Durante a operação, investigadores apreenderam R$ 155 mil e US$ 10 mil (cerca de R$ 55 mil), encontrados com um carcereiro em sua residência. Imagens de câmeras de segurança mostram a chegada de uma caminhonete ligada à empresa da família de Milton Leite à cadeia nos dias 8 e 9 de outubro e a entrada de um carro de luxo na unidade. As imagens também registram a chegada de uma viatura descaracterizada ao 1º Distrito Policial, da qual desembarcaram dois homens e uma mulher que aparenta ser uma delegada.

Após a apuração, Milton Leite foi transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos.

O ex-presidente da Câmara Municipal é apontado pelos investigadores como possível articulador político de esquema criminoso e suspeito de ser o proprietário de fato da Transwolff, empresa que já havia sido alvo de uma investigação sobre lavagem de dinheiro para o PCC. Ele nega as ligações.

A apuração que levou à prisão do ex-vereador foi feita com a análise de celulares e de conversas atribuídas a integrantes da organização criminosa. Em um dos diálogos, um homem apontado como membro do PCC afirma que seria necessário envolver Leite para resolver uma questão. Em outra conversa, os investigadores identificaram preocupação em informar o político sobre acontecimentos relacionados à UpBus, outra empresa de transporte coletivo investigada.

A defesa de Milton Leite já havia recorrido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar revogar a prisão temporária. Em 25 de setembro, o ministro Rogerio Schietti Cruz negou liminarmente o pedido. Os advogados alegaram que o ex-vereador tem comorbidades e pediram, alternativamente, que ele cumprisse prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.