Pesquisador da USP (Universidade de São Paulo), Daniel foi morto por um tiro dentro do carro em que estava com dois amigos. O carro trafegava durante a madrugada na via Dutra em direção ao Rio, onde Daniel planejava comemorar a aprovação da dissertação de mestrado em educação matemática.
O pesquisador dormia no banco traseiro quando foi atingido no tórax.
O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). Em nota, a Polícia Civil disse que a investigação "está em estágio avançado, a fim de elucidar todos os fatos".
Um agente afirmou sob reserva à reportagem que a investigação identificou um policial militar como suspeito de atirar no carro. Ele não teve o nome divulgado e deve prestar depoimento nos próximos dias.
A principal hipótese da polícia é de que o PM e o motorista do carro em que Daniel estava tiveram uma briga de trânsito, que incluiu manobras arriscadas na rodovia. A investigação se baseia em imagens de câmeras de segurança.
A versão é contestada pela família. Ela acredita, por meio do relato do amigo de Daniel, que o autor do disparo planejava roubar um caminhão na rodovia, e teria confundido o carro com uma escolta armada.
Daniel morreu a caminho do hospital geral de Nova Iguaçu, onde o óbito foi constatado.
A advogada Pabline Venezia foi cadastrada como defesa da família de Daniel nesta quinta (5) e tenta acesso ao inquérito. A família ainda denuncia que teria sofrido extorsão para liberar o corpo no IML (Instituto Médico Legal) do Rio. A Polícia Civil disse que vai apurar a denúncia.
O tiro foi disparado no momento em que o carro trafegava próximo a um caminhão. Esse suposto atirador, segundo a versão que o motorista de Daniel passou aos familiares, pode ter acreditado que o veículo dos amigos fazia escolta do veículo de carga, e que por isso atirou.
A família reclama da falta de informações da Polícia Civil.
"A polícia alega que três câmeras pegaram o momento do ocorrido e diz que já encontrou o carro [do autor dos disparos]. Mas não repassaram nada para a família nem para a advogada. Outro problema é que o carro [alvejado pelos tiros] não poderia ter voltado para a São Paulo, deveria ter ficado retido para perícia", afirma o irmão de Daniel, Paulo Henrique Oliveira.
Paulo Henrique afirma ter sido vítima de extorsão no IML do Rio de Janeiro. Segundo ele, o passaporte de Daniel, documento apresentado pela família para liberação do corpo, não foi aceito.
O irmão da vítima afirma ter sido chamado a sós por um homem que se identificou como funcionário, e diz que ele teria cobrado R$ 1.000 para liberar o corpo. Cobrar taxa para liberação de corpo é ilegal.
Paulo Henrique afirma que a funerária enviou R$ 700 ao funcionário do IML. A família enviou à reportagem a nota de prestação de serviço funerário em que consta este valor como "taxa de liberação".
"O funcionário falou que o corpo teria que ficar retido, mas que 'tudo na vida tem um jeitinho', e cobrou R$ 1.000. A funerária negociou com o IML em R$ 700 e a gente teve que ressarcir", disse o irmão.
Em nota, a Polícia Civil informou que a Corregedoria-Geral vai apurar o caso, mas indicou que "caso seja constatada a apresentação deliberada de informações falsas com o objetivo de imputar a prática de um crime, a conduta poderá configurar denunciação caluniosa".
A funerária Benttus foi procurada por mensagem de WhatsApp e ligação, mas não respondeu e não atendeu.