Batizada de Operação NXIVM, a ação da 74ª DP (Alcântara), em São Gonçalo, buscava cumprir dez mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo e Maricá. Até a última atualização, oito mandados de prisão haviam sido cumpridos: sete pessoas foram detidas nesta quarta, e um investigado que já estava na cadeia recebeu nova ordem de prisão.
Segundo a investigação, os integrantes do grupo gravavam as agressões sexuais e ameaçavam divulgar as imagens para impedir que as vítimas deixassem o esquema. A polícia classifica o caso como escravidão sexual: os suspeitos se apresentavam como "senhores" e tratavam as adolescentes como "escravas".
"O mecanismo de chantagem, associado a agressões físicas e psicológicas, era empregado para manter as vítimas sob controle e submetê-las a novos abusos", afirma a Polícia Civil em nota.
O assessor parlamentar não identificado foi preso em casa, em Icaraí, na zona sul de Niterói. De acordo com o delegado responsável pelo caso, ele é suspeito de pedir com frequência vídeos dos abusos.
O policial militar, segundo a investigação, esteve ao menos uma vez na residência onde ocorriam os abusos e teria mantido relação sexual com uma adolescente. Ele não teve a identidade divulgada. A PM afirmou que a Corregedoria-Geral da corporação, por meio da 4ª DPJM (Delegacia de Polícia Judiciária Militar), cumpriu o mandado de prisão.
A Polícia Civil afirma que as condutas foram individualizadas e que cada suspeito responderá apenas pelos respectivos crimes. Entre as infrações investigadas estão estupro individual e coletivo, estupro de vulnerável, corrupção de menores, exploração sexual de adolescente, produção, divulgação e comercialização de vídeos de violência sexual, associação criminosa e tortura.
O caso chegou à 74ª DP em julho, quando os pais de uma adolescente de 16 anos procuraram a delegacia para denunciar os abusos sofridos pela filha. A análise de computadores e celulares apreendidos na casa do suspeito apontado pela jovem levou aos outros envolvidos.
O nome da operação remete à NXIVM, organização criada nos Estados Unidos em 1998 que se apresentava como programa de desenvolvimento pessoal e mantinha um grupo secreto em que mulheres eram exploradas sexualmente e chantageadas. O fundador, Keith Raniere, foi condenado em 2019.