Plenária na China pode indicar possível sucessor de Xi Jinping sem alarde

O Comitê Central do Partido Comunista Chinês abre nesta segunda-feira (26) sua quinta plenária. O encontro deve aprovar um documento sobre disciplina interna e o controle sobre os funcionários do partido, mas a coisa toda servirá apenas com

Por Admin ·

Plenária na China pode indicar possível sucessor de Xi Jinping sem alarde

Tome 2016 como exemplo , a última vez em que uma plenária foi dedicada ao assunto. Na ocasião, Xi Jinping saiu do encontro com o título de "núcleo" da liderança, que o punha acima dos colegas e que seu antecessor Hu Jintao nunca teve. Um ano depois foi reconduzido ao posto.

Desta vez há algumas mudanças sutis no equilíbrio interno de forças e nos planos da liderança. Isso porque o grupo que vai votar este documento estará bem mais vazio do que quando foi eleito em 2022. Com tantas expulsões e investigações por indisciplina e corrupção , o número de delegados do comitê vem minguando sistematicamente e, quando se reuniu no ano passado, só 84% dos membros participaram.

Foi a menor presença desde a morte de Mao Tsé-tung , e a maioria dos ausentes era de militares. Pela conta da Asia Society, dos 44 oficiais eleitos titulares em 2022, todos menos dois foram expurgados ou deixaram de aparecer em público sem explicação.

O caso mais chamativo é o de Zhang Youxia , que até janeiro era o general mais graduado da China . Ele e Liu Zhenli , chefe do Estado-Maior Conjunto, foram expulsos do comitê em setembro, acusados de receber propina e faltar com lealdade. A Comissão Militar Central, que comanda as Forças Armadas e deveria ter sete membros, ficou com dois (Xi e o general Zhang Shengmin, próximo de se aposentar), enquanto o Politburo, núcleo de dirigentes escolhidos dentro do comitê, encolheu de 24 para 21.

Só uma plenária pode preencher essas vagas, e é para elas que os observadores vão olhar primeiro. O candidato mais óbvio na Comissão Militar é Zhang Shuguang, o general que Xi pôs em julho à frente da disciplina nas Forças Armadas. Vale ainda olhar para a ordem em que suplentes sobem a titulares. O estatuto manda seguir a votação de 2022, mas no ano passado o partido pulou sete nomes, quatro deles generais, sinal de que os preteridos estão sob suspeita.

Antes de Xi, era em plenárias assim que o partido apontava o sucessor, dando a ele a vice-presidência da Comissão Militar. O posto servia de estágio para o futuro secretário-geral, já que o comando das Forças Armadas é o último poder que um líder chinês entrega. Hu ganhou a dele em 1999, três anos antes de assumir, e Xi, em 2010.

É difícil prever se algo do tipo pode acontecer agora, embora Pequim tenha sido tomada por boataria dando como certa a indicação do premiê Li Qiang para o posto. Antes, chegou a circular uma versão em que Cai Qi, chefe de gabinete de Xi e presidente da Escola Central do Partido, seria o escolhido.

Ambas as versões ignoram que tanto Li quanto Cai terão passado dos 68 anos, idade em que a cúpula costuma se aposentar. A regra é informal, e Xi a ignorou em 2022, mas ao menos até agora ainda serve para os outros. O mais provável é que Xi saia do plenário sem apontar ninguém e deixe parte das vagas militares para 2027.

Uma surpresa viria da nomeação de um outro civil para o posto (como ocorreu com Hu e com o próprio Xi) ou da entrada no Politburo de algum dirigente nascido nos anos 1970. Neste caso, assim, de fininho e sem que ninguém estivesse esperando, a China terá anunciado ao mundo que seu líder vai se aposentar e o país será gerido por um novo rosto a partir do ano que vem.