PIB vai desacelerar ‘forte em 2027’, diz pesquisador do Insper

O Brasil não vai escapar de uma desaceleração forte da economia no ano que vem, na opinião do pesquisador do Insper Marcos Mendes, que foi do Ministério da Fazenda no governo Michel Temer. Para ele, a principal preocupação do momento é a dí

Por Admin ·

PIB vai desacelerar ‘forte em 2027’, diz pesquisador do Insper

O Brasil não vai escapar de uma desaceleração forte da economia no ano que vem, na opinião do pesquisador do Insper Marcos Mendes, que foi do Ministério da Fazenda no governo Michel Temer. Para ele, a principal preocupação do momento é a dívida pública, que vem subindo em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB), passando de 71,7% em 2023 para 82,9% em agosto deste ano.

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Os indicadores econômicos, como o desemprego baixo e a inflação, que apesar de estar acima da meta não está disparando, “estão ajudando a alimentar essa campanha eleitoral à base de promessas”, causando a impressão de que “não há problemas”:

— Em 2027, a gente vai ter uma desaceleração forte do crescimento, sem perspectiva de melhorar em 2028. Não vai ser a grande recessão de 2014 a 2016, mas agora, nós estamos dependendo de um quadro internacional muito incerto. Tem os juros subindo nos EUA, teve a valorização do dólar que ajudou o nosso câmbio. A alta do petróleo ajudou o fiscal que já está sendo torrado nos gastos adicionais.

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A projeção do Boletim Focus para o crescimento do PIB deste ano está em 1,85%, caindo para 1,32% em 2027.

Para Mendes, a situação externa, atualmente favorável ao Brasil, pode mudar. Há risco de aumento de juro internacional, que pode levar a uma desvalorização cambial.

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— E estamos meio sem margem de manobra. Eu acho que o risco é muito mais de a gente viver uma estagnação prolongada — afirmou.

O economista participou do Congresso da Associação Brasileira de Direito e Economia (ABDE), no Rio, no qual mostrou que somente em momentos de crise econômica as reformas acontecem.

Em sua participação, ele chamou a atenção para a invasão de competência entre os Poderes, citando o fato de o Judiciário ter anulado artigos da Reforma Trabalhista de 2017, enquanto o Legislativo, com as emendas parlamentares, assume funções do Executivo:

— Essa invasão de Poderes prejudica o funcionamento da sociedade.

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O pesquisador criticou políticas que são de “benefício concentrado e custo difuso, mesmo que a intenção seja louvável, como no caso do microempreendedor individual (MEI), que nasceu para formalizar o conta-própria mais vulnerável e acabou sendo usado pela classe média:

— São 17 milhões de MEIs e somente 30% estão no Cadastro Único (porta de entrada para os benefícios sociais do governo).