Philippe Jaenada vence Prêmio Goncourt em meio a debate sobre IA

O prêmio literário Goncourt, o mais prestigioso da França, foi concedido neste ano a Philippe Jaenada por "L'inconnue du quai de Javel", anunciaram nesta terça-feira (3) os organizadores, em uma edição marcada pelo debate sobre o uso da int

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Philippe Jaenada vence Prêmio Goncourt em meio a debate sobre IA

O prêmio literário Goncourt, o mais prestigioso da França, foi concedido neste ano a Philippe Jaenada por "L'inconnue du quai de Javel", anunciaram nesta terça-feira (3) os organizadores, em uma edição marcada pelo debate sobre o uso da inteligência artificial.

Neste livro de 528 páginas, Jaenada, de 62 anos, apresenta a investigação sobre a morte de Louise Cansot, uma jovem bretã de 29 anos que se tornou modelo em Paris e cujo corpo foi encontrado em 1949 às margens do Sena.

A história "torna visível uma mulher que foi invisibilizada, uma vítima, uma jovem com a qual a polícia não se preocupou muito", declarou à imprensa o presidente do Goncourt, Philippe Claudel, após revelar o nome do vencedor.

O prêmio, de valor simbólico de 10 euros (R$ 60,50), representa um imenso reconhecimento para o laureado e tem um grande impacto nas vendas.

Jaenada já havia sido selecionado outras quatro vezes para o Goncourt, mas nunca havia chegado no corte final. Ele recebeu seis votos contra três de Sylvain Prudhomme, que concorria pelo romance "De l'autre côté du lac".

Esta edição foi afetada pela polêmica em torno do uso da IA, depois que o autor canadense Thélyson Orélien, incluído na lista de finalistas antes de ser retirado, foi acusado de plágio em textos antigos e de usar amplamente a IA para escrever "C'était ça ou mourir".

Orélien negou as acusações, embora tenha admitido plágios passados.

Curiosamente, em "L'inconnue du quai de Javel" o autor expõe seus "diálogos" com modelos de linguagem de IA como o Chatgpt e Claude, usados para investigar o caso de Louise Cansot. Nascido em Saint-Germain-en-Laye, cidade a 20 km de Paris, Jaenada é especialista em casos arquivados como o de Louise Cansot, modelo e musa dos pintores de Montparnasse na primeira metade do século XX.

Ela foi brutalmente assassinada em 1949, mas a polícia arquivou o caso com a justificativa de que a vítima tinha "más companhias". Tentando desvendar o crime e tirar Cansot do esquecimento, Jaenaa cruza dossiês criminais, notícias da imprensa e sua própria investigação, narrada entre humor e humanismo.

Narrada na primeira pessoa e repleta de digressões, a investigação é interrompida por passagens por bistrôs e restaurantes, em que o autor brinca com sua preferência pelo whisky e o ensopado de vitela.