PF investiga ameaças contra deputada federal eleita pelo PT em Minas Gerais

A Polícia Federal investiga ameaças sofridas pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), que foram divulgadas por ela em suas redes sociais. A corporação informou neste domingo (8) que já iniciou diligências e solicitou cooperação policial internacional pa

Por Admin ·

PF investiga ameaças contra deputada federal eleita pelo PT em Minas Gerais

A investigação é conduzida pela delegacia da PF em Divinópolis (MG), com apoio da Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos, especializada na apuração de crimes cometidos por meios eletrônicos.

Em vídeo publicado nas redes sociais no sábado (7), Ana Elisa divulgou um email com ameaças de morte e estupro, além de ataques racistas e misóginos.

A mensagem, segundo a deputada federal eleita, é uma das diversas intimidações que passou a receber durante a campanha eleitoral. Ao ler o conteúdo, afirmou que aquele era o email mais leve que havia recebido.

A publicação foi uma resposta às críticas feitas pela influenciadora Natássia Chamelete ao fato de Ana Elisa utilizar escolta policial 24 horas por dia. A deputada eleita negou ser contrária ao policiamento e afirmou que sua posição é contra a violência praticada por policiais. "Eu sou contra violência policial, que é uma coisa completamente distinta", disse.

Ana Elisa também relatou que as ameaças comprometeram sua liberdade e privacidade. Segundo ela, a residência onde mora com a família, em Divinópolis (MG), precisou receber reforço na segurança, com instalação de câmeras e serpentinas.

"Me candidatei, ganhei uma eleição e, desde então, perdi a minha liberdade", afirmou. A deputada eleita disse ainda que gostaria de poder frequentar lugares públicos sem depender de escolta.

Segundo a corporação, as medidas incluem diligências especializadas e pedidos de cooperação com autoridades estrangeiras para obter informações que possam ajudar a identificar os autores das ameaças.

A PF não informou quais países foram acionados nem divulgou detalhes sobre as diligências em andamento, sob a justificativa de preservar o sigilo da investigação.

Em nota, a corporação afirmou que já participou de investigações que resultaram na identificação e responsabilização de pessoas que utilizaram recursos tecnológicos para dificultar sua identificação após ameaçar autoridades, parlamentares e outras pessoas públicas.

A instituição citou como exemplo a Operação Aggregatio, realizada em outubro deste ano, que identificou o responsável por ameaças e outras condutas criminosas praticadas pela internet contra parlamentares e autoridades de diferentes estados.

Na ocasião, os investigadores descobriram que episódios inicialmente tratados como casos independentes tinham uma origem comum, identificada por meio de técnicas especializadas de investigação digital.

A PF afirmou ainda que ameaças contra qualquer cidadão devem ser tratadas com seriedade, com avaliação de risco e adoção de medidas de proteção pelas autoridades competentes.

Neste domingo (8), o Ministério da Justiça e Segurança Pública repudiou as ameaças e os ataques racistas dirigidos à deputada federal eleita.

"O MJSP reafirma que ameaças e discursos de ódio, em especial de cunho racista e misógino, são inaceitáveis e devem ser apurados com máximo rigor. O ministério acompanha as investigações e a evolução do cenário de risco, com ajuste das medidas de proteção sempre que necessário", disse, em nota.

O Ministério da Justiça disse ainda que a PF avaliou tecnicamente o caso e recomendou medidas de proteção continuada e de proximidade, já em execução. Nesse caso, a Secretaria Nacional de Segurança Pública coordena, com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais e as forças de segurança locais, a execução e a continuidade dessas medidas.