O barril Brent, referência mundial, caiu 2,19%, a US$ 109,25, por volta das 0h30 (horário de Brasília) desta segunda. Às 8h45, a queda era um pouco menor, de 1,35%, sendo negociado a US$ 110,17. O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, estava em queda de 1,96%, a US$ 101,25.
A maior estabilidade nas negociações ocorre após uma sessão frenética na sexta-feira, quando os preços do petróleo dispararam para os níveis mais altos em cinco meses, impulsionados em parte pelo receio de que o presidente dos EUA, Donald Trump , lançasse novos ataques contra o Irã após as eleições legislativas de meio de mandato no país, marcadas para 3 de novembro.
Os preços do petróleo subiram nas últimas semanas, à medida que aumentou a perspectiva de uma interrupção prolongada no fornecimento e os estoques da commodity continuaram diminuindo.
No domingo, Trump levantou a possibilidade de lançar novos ataques contra o Irã ou de chegar a um acordo com Teerã . "Essa é a única questão", afirmou o republicano à emissora de televisão Fox News, ao mesmo tempo em que integrantes do governo diziam que o Irã preparava novas ofensivas .
Enquanto os preços recuavam em relação às máximas de sexta-feira, alguns analistas destacaram a visita de autoridades do Qatar a Teerã na última semana.
O Irã também receberá nesta segunda-feira, em Teerã, autoridades de alto escalão da Arábia Saudita, do Paquistão e da Turquia para conversas sobre segurança regional. Ali Bagheri Kani, secretário adjunto do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, anunciou a visita prevista em entrevista à televisão estatal iraniana.
Segundo ele, a iniciativa poderia marcar o início dos esforços para construir "uma região caracterizada por estabilidade, tranquilidade e progresso", sem fornecer mais detalhes.
A reunião ocorre após o Irã intensificar, na semana passada, os ataques contra navios-tanque que atravessam o estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás antes da guerra.
Em um sinal da escalada das tensões, os Estados Unidos retiraram na semana passada parte de seu corpo diplomático e seus familiares da Arábia Saudita, devido ao aumento dos ataques contra o reino realizados por rebeldes houthis sediados no Iêmen.
"A intensificação dos ataques houthis contra a Arábia Saudita, a continuidade dos ataques contra navios-tanque e a incerteza sobre o rumo que o governo dos Estados Unidos tomará após as eleições de meio de mandato implicam um prêmio geopolítico substancial nos preços do petróleo", afirmaram os analistas do Barclays.
Os preços das entregas de petróleo nos próximos meses mostram que os operadores esperam que os valores elevados persistam por mais tempo do que se previa anteriormente.
O Brent para entrega até abril de 2027 era negociado nesta segunda-feira a pouco menos de US$ 100 por barril.
Nesta segunda, os houthis afirmaram que atacaram estações de bombeamento de petróleo bruto do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita e o aeroporto de Riad, em um momento em que a escalada das hostilidades ameaça desencadear um conflito de maiores proporções.
Já a coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen disse ter destruído dois lançadores de mísseis balísticos na capital, Sanaa, incluindo um usado para disparar um míssil em direção a Riad, que, segundo a coalizão, foi interceptado. Não houve confirmação imediata da Arábia Saudita sobre os ataques dos houthis.
Em setembro, a Arábia Saudita chegou a fechar o oleoduto Leste-Oeste, que tem 1.200 km, como medida de precaução após ataques de drones. O oleoduto vem sendo uma opção para as exportações de petróleo do Oriente Médio enquanto o estreito de Hormuz permanece bloqueado.
Com informações do Financial Times e da Reuters