Pessoas com dermatite atópica têm maior risco de depressão e ansiedade

Uma em cada cinco pessoas com dermatite atópica tem depressão , proporção duas vezes maior que a observada na população geral. O risco de ansiedade também é maior, segundo revisão da literatura publicada no Journal of Clinical Medicine , em

Por Admin ·

Pessoas com dermatite atópica têm maior risco de depressão e ansiedade

A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica, não contagiosa e de origem genética. Provoca ressecamento e sensibilidade da pele, além de lesões avermelhadas e prurido (coceira intensa). No Brasil, levantamento citado em protocolo do Ministério da Saúde apontou prevalência de 2,3%.

Pietro Medeiros, 8, de Cachoeirinha (RS), recebeu o diagnóstico de um quadro grave no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Com o tempo, também desenvolveu depressão e ansiedade .

"Ele não saía da cama nem caminhava. Pense como é acordar e dormir sentindo dor e coceira, não conseguir tomar banho nem vestir roupa", conta a mãe, Dioneli Medeiros.

Na escola, um colega que teve escabiose (sarna humana) disse ter contraído a condição de Pietro, repetindo o que ouvira do pai. Segundo Dioneli, uma professora também perguntou se a dermatite era contagiosa. Depois dos episódios, o menino não queria mais ir às aulas.

A desinformação aparece também fora da escola. Pesquisa do Datafolha realizada em 2020, a pedido da farmacêutica AbbVie, ouviu 1.001 pessoas sobre dermatite atópica. Entre os entrevistados, 30% acreditavam que a doença era contagiosa e 47% a associavam à falta de higiene. Para 36%, pessoas com lesões visíveis não deveriam sair de casa, estudar ou trabalhar.

A dermatologista Rosana Lazzarini, primeira-secretária da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia), afirma que a coceira pode prejudicar o sono e afetar o desempenho nos estudos e no trabalho. Quando as lesões são visíveis, o impacto pode alcançar também a vida social.