À medida que os eleitores comparecem às urnas para votar nas eleições de meio de mandato dos EUA nesta terça-feira, os cenários projetados por pesquisas de opinião vão perdendo seu lugar de destaque, à espera da confirmação ou rejeição que apenas o avançar da apuração será capaz de demonstrar. Se o panorama pré-votação era apontado como favorável ao Partido Democrata, analistas apontam que a vantagem para os opositores do presidente Donald Trump não é uma garantia — e que uma realidade mais adversa pode se revelar ao fim da contagem das cédulas depositadas nas urnas.
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Em um pleito definido por muitos analistas como um "referendo" sobre Trump, as pesquisas indicaram na reta final vantagem para os democratas — em um cenário em que o presidente americano goza de pouco prestígio, com os piores índices de popularidade registrados. Pesquisas New York Times/Siena University chegaram a apontar a possibilidade de uma "onda azul" durante a apuração, com a oposição democrata conquistando uma ampla margem na Câmara e no Senado. A conversão da projeção estatística em realidade é mais difícil.
Embora 435 assentos para a Câmara estejam em disputa e 35 das 100 cadeiras do Senado, poucos são os casos em que há uma disputa real, com chances de vitória dos candidatos dos dois partidos — ou de um independente, em casos ainda mais raros. Analistas ouvidos pela Reuters apontaram que o redesenho dos mapas eleitorais ao longo do último ano (prática conhecida como Gerrymandering ) reduziram os terrenos realmente competitivos. Segundo as fontes, apenas 40 a 50 cadeiras da Câmara estariam realmente em disputa, com projeções mais conservadoras indicando uma vitória de cinco a 20 deputados para os democratas — garantindo uma maioria, mas uma margem menos capaz de confrontar o Executivo.
Para o Senado, a situação é ainda mais delicada. Para reverter a maioria republicana, os democratas precisam conquistar cinco cadeiras a mais que o partido do presidente, incluindo em territórios com ampla maioria republicana, em termos históricos. Para uma vitória decisiva democrata, alguns desses terrenos seriam Texas, Alasca, Ohio e Michigan, que apoiaram Trump de forma massiva há dois anos.
"Na atual era de polarização, não há precedente para um partido se sair tão bem em tantos estados que costumam ser vitórias garantidas para o outro lado. As únicas comparações plausíveis são as vitórias democratas de 2006 e 2008, mas as pesquisas recentes [sobre a eleição atual] superam até essas", escreveu o chefe de análise política do New York Times, Nate Cohn, em um texto publicado no domingo.
Cohn pondera que "há precedente na era Trump" de pesquisas de intenção de voto superestimando o eleitorado democrata, o que coloca em dúvida a confiabilidade das projeções indicadas. Em sintonia, os apoiadores de Trump também se mostram menos propensos a responder pesquisas, introduzindo um risco de erro na análise dos dados.
"Com os democratas de novo precisando vencer estados tradicionalmente republicanos para conquistar o Senado, é totalmente possível que eles se decepcionem mais uma vez. Para manter essas cadeiras no Senado, os republicanos só precisam fazer os eleitores de inclinação republicana comparecerem e votarem nos republicanos, como costumam fazer. Não seria um choque se isso acontecesse", acrescentou o analista.
Em contrapartida, o analista aponta que esta tarefa é "mais difícil para os republicanos hoje do que em 2018", diante da impopularidade atual de Trump:
"Na época, eles podiam vencer simplesmente mantendo os eleitores que apoiavam Trump. A aprovação dele passava de 50% em todos os estados republicanos cruciais onde os democratas ficaram aquém. Desta vez, eles não terão essa vantagem essencial. A aprovação de Trump está abaixo de 40% nos cinco estados republicanos incluídos nesta pesquisa (Kansas, Texas, Ohio, Alasca e Iowa)".
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À medida que os eleitores comparecem às urnas para votar nas eleições de meio de mandato dos EUA nesta terça-feira, os cenários projetados por pesquisas de opinião vão perdendo seu lugar de destaque, à espera da confirmação ou rejeição que