Isso não significa, porém, que ele conseguirá se manter no cargo, uma vez que a escolha de um premiê vai depender da negociação entre os partidos.
Segundo o levantamento do Canal 12, o Likud deve conquistar 24 cadeiras, contra 22 do Yashar, principal legenda de oposição, liderada por Gadi Eisenkot. Os levantamentos confirmam o cenário incerto que analistas sugeriam antes do pleito. Mesmo com Likud conquistando o maior número de cadeiras, o bloco de partidos da oposição pode conseguir um conjunto maior que o do Netanyahu.
O levantamento do Canal 12 indica que o possível bloco de Eisenkot teria conquistado 52 cadeiras, ante 50 do grupo de Netanyahu —em paralelo, as listas árabes teriam conseguido 18 cadeiras.
O resultado oficial começou a ser divulgado às 20h (horário de Brasília). A apuração avança lentamente. Até a última atualização deste texto, 20,1% dos votos haviam sido apurados. Nesse cenário ainda incipiente, o Likud teria 32 cadeiras, e o Yashar, 22.
Se o cenário apontado pelas pesquisas de boca de urna se confirmar, pode levar semanas até que o parlamentar indicado pelo presidente Isaac Herzog consiga formar uma coalização para o próximo governo. Ainda é possível, no entanto, que novas eleições sejam convocadas caso nenhum consiga uma coligação suficiente para governar.
Logo após o fechamento das urnas, Eisenkot afirmou que "os resultados iniciais indicam uma completa falta de confiança em Netanyahu e no governo do 7 de Outubro, tanto por parte da maioria sionista quanto da maioria dos cidadãos israelenses".
O líder da oposição fez referência ao ataque terrorista do Hamas, que há três anos matou 1.200 pessoas e sequestrou 251 reféns, porque critica a resposta do governo de Netanyahu ao incidente.
Ele acrescentou que, se estes forem os números finais da apuração, seria uma vitória para o país. "Agirei imediatamente para implementar a decisão do povo, substituir o governo Netanyahu e estabelecer um governo de mobilização sionista o mais rápido possível", afirmou.
O atual líder da oposição no Parlamento, Yair Lapid, por sua vez, falou em uma "derrota esmagadora" para o bloco do premiê. Ele é membro do B’Yachad, que, de acordo com Canal 12, deve ser o segundo maior partido de oposição, com 12 cadeiras.
Já Netanyahu afirmou que o Likud é o maior partido do país e prometeu formar um novo governo "forte de direita". Segundo ele, "a maioria judaica e sionista deve se unir", uma vez que "é impensável ter um governo que conte com o apoio de partidos árabes". O premiê ainda disse que Israel "tem uma oportunidade única" de, junto a Donald Trump, "eliminar para sempre a ameaça existencial do Irã".
O ministro das Relações Exteriores do país, Gideon Saar, também membro do Likud, afirmou que "as comemorações da esquerda são prematuras, e as declarações categóricas de comentaristas parciais são ridículas".
O presidente da Lista Conjunta, legenda árabe de maior expressão —segundo levantamento do Canal 12, deve angariar 11 cadeiras—, afirmou que os resultados indicam uma possível mudança de governo. "Esperamos mandar Bibi, Smotrich e o governo sanguinário para casa", disse Yosef Jabarin.
Durante esta terça, longas filas se formaram do lado de fora das seções eleitorais para a primeira eleição desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 e das guerras que se seguiram na Faixa de Gaza , no Líbano e no Irã .
A Comissão Eleitoral Central informou que a participação eleitoral atingiu o recorde de 77,7%, a maior desde 1999. O voto não é obrigatório no país.
O Likud, de Netanyahu, havia solicitado às autoridades eleitorais a prorrogação do horário de votação, em meio aos esforços para mobilizar seus eleitores, mas a comissão negou o pedido.
As políticas da coalizão de direita de Netanyahu têm gerado divisões no país e aprofundado o isolamento internacional de Israel. Mas ele se apresenta como o único líder com coragem para enfrentar o que chama de inimigos de Israel.
Seu principal rival, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, pretende destituí-lo com o apoio de partidos da direita e do centro, bem como do que resta de uma esquerda cada vez mais fragmentada.
O Yashar, principal partido de oposição, do qual Eisenkot é líder, foi contra a prorrogação e disse que a iniciativa do Likud poderia ser usada para contestar futuramente a legitimidade da eleição.
Mais cedo nesta terça, Netanyahu exortou seus apoiadores a comparecerem às urnas para contrabalançar a alta participação de seus oponentes da esquerda e dos árabes israelenses. "Todos vocês precisam ir em massa às urnas", disse ele. "Este é um momento decisivo."
Se nem Netanyahu nem Eisenkot conseguirem formar uma coalizão de governo no parlamento de 120 cadeiras, o atual premiê deve permanecer como interino até que seja realizada outra eleição.
Seus oponentes conseguiram tirar-lhe o cargo de premiê apenas uma vez desde 2009, e isso exigiu quatro eleições inconclusivas em dois anos. Dezoito meses depois, ele estava de volta.
Para muitos dos oponentes de Netanyahu, a eleição gira em torno da responsabilização pelas falhas de segurança ocorridas no 7 de Outubro. Grupos da oposição prometeram realizar uma investigação nacional, à qual Netanyahu se opôs.
Eisenkot afirma que a resposta de Israel aos atentados —uma guerra que matou mais de 74 mil palestinos, segundo as autoridades de saúde de Gaza— foi um fracasso, pois o Hamas continua no poder. Ele reiterou seu compromisso de desmantelar ou destruir o poder militar e administrativo do Hamas em Gaza dentro de 18 meses após a formação do governo.
Partido de Netanyahu tem mais votos, mas bloco de oposição pode vencer em Israel, diz boca de urna
Os israelenses compareceram em massa às urnas nesta terça-feira (27), em participação recorde, e, segundo pesquisas de boca de urna, o partido do atual primeiro-ministro Binyamin Netanyahu deve conquistar o maior número de cadeiras no Parlamento de Israel .