Por O Globo e agências internacionais — Tel Aviv
27/10/2026 10h10 Atualizado 27/10/2026 15h13
Em uma eleição marcada pelo comparecimento recorde , que deve definir o futuro político do primeiro-ministro de Israel , Benjamin Netanyahu , partidos governistas enviaram um pedido à Comissão Eleitoral Central para estender o horário de votação para além das 22h (17h em Brasília). As siglas governistas alegaram que a medida seria necessária para garantir que todos os eleitores pudessem depositar seus votos nas urna. A principal força opositora no país afirma que o pedido faz parte de uma estratégia mais ampla de Netanyahu para contestar o resultado eleitoral.
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O requerimento apresentado pelos partidos da coalizão liderada pelo premier aponta que eles tentam "evitar uma situação em que os cidadãos que aguardam nas filas não consigam votar", apesar do diretor-geral interino da comissão eleitoral, Dean Livne, ter dito mais cedo que os locais de votação permaneceriam abertos se houvesse pessoas na fila às 22h. A oposição refutou imediatamente as pretensões governistas.
"Nenhum incidente excepcional ocorreu para justificar a aceitação deste pedido, que tem por objetivo preparar o terreno para alegações desafiando a integridade da eleição, dando seguimento a s mentiras que Netanyahu tem espalhado desde a manhã", manifestou-se o partido Yashar, liderado pelo ex-chefe do Exército, Gadi Eisenkot, principal cotado para assumir o Executivo, segundo projeções de pesquisas eleitorais. Ele não deu detalhes sobre qual seria a narrativa adotada pela coalizão governista.
O novo comunicado do Yashar faz menção a um movimento retórico de Netanyahu horas antes da apresentação do pedido de extensão da eleição. Apelando para um expediente de outras campanhas, o primeiro-ministro afirmou que eleitores árabes estão indo "em massa" às urnas, e que "tentam roubar" a votação. Por volta das 18h (13h em Brasília), 66,7% dos eleitores tinham comparecido, segundo a Comissão Eleitoral Central.
Em publicações nas redes sociais, ele fez seguidos apelos para que seus apoiadores saiam de casa para votar. Em uma delas, afirmou que "hoje não é dia de ir ao mar nem de fazer churrasco", e que "na balança está o futuro do nosso Estado judeu: um governo de direita forte ou um governo de esquerda apoiado pelos partidos árabes".
"Ônibus estão saindo para as urnas, e filas gigantes são relatadas nos povoados árabes. E enquanto isso, os baluartes da direita não acordam! Se não sairmos agora para votar, vamos nos ver com um governo dos partidos árabes", escreveu na rede social X.
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O premier ainda afirmou que "mulheres judias de esquerda estão levando mulheres árabes às urnas", e acusou três membros do alto escalão da Lista Árabe Unida (Ra’am) de oferecerem suborno a eleitores para tentar "roubar a eleição". Os homens foram detidos, sem maiores detalhes. O Ra’am diz que os detidos não têm laços formais com a sigla, e que as prisões "não têm base legal".
"Eu exijo que o sistema de aplicação da lei investigue o incidente", escreveu Netanyahu na rede social X. "Eleitores da direita, queridos eleitores do Likud, diante das tentativas de prejudicar a pureza das eleições, devem sair e votar em massa, votar no Likud pelo nosso país".
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Com as acusações e a campanha de medo, Netanyahu repete uma velha tática de eleições passadas, quando também apresentou os árabes como uma ameaça existencial ao seu projeto de um Estado judeu. Em 2015, também disse que os árabes estavam "indo em massa às urnas", e que "ONGs de esquerda os estão levando de ônibus aos locais de votação" — e posteriormente precisou pedir desculpas. Nesta terça-feira, ao menos um vídeo publicado pelo premier no X foi identificado como sendo da eleição de 2022.
O Yashar também se manifestou sobre as alegações do premier, afirmando que "Netanyahu está em pânico e preparando o terreno para contestar os resultados [da eleição]". A sigla de Eisenkot ainda acrescentou que a vitória sobre o Likud precisava ser por "uma margem considerável", argumentando que "só assim não haverá espaço para semear dúvidas".
De acordo com dados preliminares, o comparecimento às urnas no início da tarde é o maior desde 1973 , em mais um sinal de como os israelenses encaram as primeiras eleições gerais desde os ataques de 7 de outubro de 2023 e da sequência de guerras em Gaza e contra o Irã.
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— Estamos no dia mais crítico desde a fundação de Israel — disse mais cedo Eisenkot, pedindo aos eleitores que "não se deixem levar pela campanha de medo" de Netanyahu. — Apelo a todos os cidadãos israelenses que saiam para votar e permaneçam comprometidos com a missão.
Em outro incidente, um homem armado com uma faca foi preso ao tentar se aproximar "de maneira intimidadora" de Yair Golan, líder do Democratas, de esquerda, durante um ato de campanha em Tel Aviv. De acordo com assessores, a proteção de Golan passou a ser feita por agentes do Shin Bet, o serviço de segurança interna de Israel, devido a ameaças recentes. Em comunicado divulgado pelo partido, o político afirma que "a incitação e a violência não nos deterão", e acusou Netanyahu de manter uma "máquina envenenada" contra a oposição.
— Estas eleições vão decidir o futuro do nosso país e, para ser sincero, me dão um medo danado, porque temo que os caras maus vençam de novo, e espero muito que isso não aconteça — declarou Yoav Tzivioni, que vive na Nova Zelândia, ao jornal Haaretz, revelando ainda em quem não pretendia votar. — No Bibi (apelido de Netanyahu), não.
Pesquisas mostram que o Likud, partido de Netanyahu, não deve se manter como a maior sigla no Parlamento, e que a oposição tem chances de retomar o controle do governo. (Com AFP)
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