"As eleições no Estado de Israel foram roubadas por partidos árabes que apoiam o terrorismo e a aniquilação do Estado judeu por meio de graves atos criminosos de corrupção, ameaças, violência, falsificações e o uso de software proibido para encorajar eleitores a votar", afirmou o partido em um comunicado nesta quarta-feira (28).
O partido governista afirma, no comunicado, que entregou à polícia, ao comitê eleitoral e o Shin Bet (agência de segurança interna), "centenas de testemunhos" e suposta evidência de violência contra equipes de seções eleitorais, compra de voto e votos duplicados, entre outras acusações. "Este é um grave golpe à democracia israelense e ao direito de voto dos cidadãos israelenses", afirmou a sigla.
Mais cedo, um funcionário do comitê eleitoral rejeitou denúncias de fraude na eleição. O comitê, após a denúncia do Likud, afirmou que lançou uma operação de fiscalização para revisar reclamações e denúncias de todos os partidos, ressaltando que toma essa medida em todo pleito.
Até o começo da tarde no horário de Brasília, com mais de 85% das urnas apuradas, o Likud tem o maior número de cadeiras no Knesset, o Parlamento israelense, e o bloco de Netanyhau agrega o maior conjunto de assentos, 53, ainda abaixo da maioria de 61 parlamentares que garante um governo majoritário.
O bloco de oposição tem 48, e o conjunto de legendas árabes marca 19 assentos, o que faz desse grupo, profundamente anti-Netanyahu, mas ainda sem uma aliança consolidada com a oposição de siglas sionistas, o provável fiel da balança no pleito.
Um dos principais opositores árabes-israelenses declarou nesta quarta-feira à AFP que está disposto a apoiar um governo parar tirar o premiê do poder, mas sem integrá-lo.
"Não vemos como poderíamos participar de uma coalizão nas circunstâncias atuais", disse Yussef Jabareen, dirigente da Lista Unificada, citando a guerra na Faixa de Gaza e o avanço dos assentamentos na Cisjordânia ocupada. "Mas, para derrubar [o governo Netanyahu] poderíamos apoiar um governo alternativo, sem fazer parte dele", acrescentou.
Após concluída a apuração dos votos, o presidente do país, Isaac Herzog, consulta os partidos do Knesset e convida algum dos parlamentares a tentar formar um governo. Isso significa que não necessariamente o bloco majoritário ou partido com mais votos formará o próximo governo, uma incerteza que se aprofunda em um cenário sem um grupo com maioria consolidada.
A coalizão de Netanyahu, a mais à direita da história de Israel, tentou isolar as siglas árabes e evitar uma possível colaboração delas com a oposição dizendo que qualquer cooperação nesse sentido seria ilegítima.
O pleito é o primeiro desde o 7 de Outubro , ataque terrorista liderado pelo Hamas contra Israel em 2023 que matou 1.200 pessoas e desencadeou o conflito na Faixa de Gaza, onde a reação israelense matou mais de 73 mil pessoas.
Premiê com mais tempo no poder da história de Israel que se construiu como político inevitável, Netanyahu tenta permanecer no cargo a despeito das críticas e da pressão de uma oposição unificada.
Desde dezembro de 2022, o partido Likud governa com apoio de legendas religiosas e de extrema direita, embora a controvérsia sobre o alistamento militar tenha provocado rupturas . O premiê e sua trajetória de mais de 19 anos acumulados no cargo convivem com críticas pela resposta aos ataques do Hamas e com um julgamento por corrupção, no qual ele nega qualquer irregularidade.