Participação nas eleições de Israel bate recorde e chega a quase 66,7% à tarde, maior índice desde início da série, em 1973

Por O GLOBO, com agências internacionais — Tel Aviv 27/10/2026 07h56 Atualizado 27/10/2026 14h26 Os israelenses foram às urnas em ritmo inédito nesta terça-feira, nas primeiras eleições gerais desde os ataques de 7 de outubro de 2023. Até

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Participação nas eleições de Israel bate recorde e chega a quase 66,7% à tarde, maior índice desde início da série, em 1973

Por O GLOBO, com agências internacionais — Tel Aviv

27/10/2026 07h56 Atualizado 27/10/2026 14h26

Os israelenses foram às urnas em ritmo inédito nesta terça-feira, nas primeiras eleições gerais desde os ataques de 7 de outubro de 2023. Até as 18h (13h em Brasília), 66,7% dos eleitores haviam votado, segundo a Comissão Eleitoral Central. No mesmo horário da eleição de 2022, o índice era de 57,7%. Mais cedo, às 16h, a participação havia chegado a 55,7%, a maior registrada para esse momento da votação desde o início da série, em 1973. O pleito é visto como um veredito sobre o governo de Benjamin Netanyahu , que disputa o cargo com o centrista Gadi Eisenkot, líder nas pesquisas. A votação deveria ser encerrada às 22h no horário local (17h no horário de Brasília), mas partidos governistas enviaram um pedido à Comissão Eleitoral Central para estender o horário .

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O ritmo de votação se manteve alto ao longo do dia. Ao meio-dia, 31,5% dos eleitores, mais de 2,3 milhões de pessoas, já haviam votado, a maior participação para esse horário desde 1977, segundo o jornal israelense Haaretz. Entre os militares, que votam em 850 seções instaladas em bases dentro e fora de Israel , a participação chegou a 68% às 17h, contra 65% no mesmo horário do pleito anterior.

Ao anunciar o pedido de extensão de horário, as siglas governistas alegaram que a medida seria necessária para garantir que todos os eleitores pudessem depositar seus votos nas urna. A principal força opositora no país, por sua vez, O requerimento apresentado pelos partidos da coalizão liderada pelo premier aponta que eles tentam "evitar uma situação em que os cidadãos que aguardam nas filas não consigam votar", embora o diretor-geral interino da comissão eleitoral, Dean Livne, tenha dito mais cedo que os locais de votação permaneceriam abertos se houvesse pessoas na fila às 22h. A oposição refutou imediatamente as pretensões governistas.afirma que o pedido faz parte de uma estratégia mais ampla de Netanyahu para contestar o resultado eleitoral.

O requerimento apresentado pelos partidos da coalizão liderada pelo premier aponta que eles tentam "evitar uma situação em que os cidadãos que aguardam nas filas não consigam votar", embora o diretor-geral interino da comissão eleitoral, Dean Livne, tenha dito mais cedo que os locais de votação permaneceriam abertos se houvesse pessoas na fila às 22h.

O premier ainda afirmou que "mulheres judias de esquerda estão levando mulheres árabes às urnas", e acusou três membros do alto escalão da Lista Árabe Unida (Ra’am) de oferecerem suborno a eleitores para tentar "roubar a eleição". Os homens foram detidos, sem maiores detalhes.

Com as acusações e a campanha de medo, Netanyahu repete uma velha tática de eleições passadas, quando também apresentou os árabes como uma ameaça existencial ao seu projeto de um Estado judeu. Em 2015, também disse que os árabes estavam "indo em massa às urnas", e que "ONGs de esquerda os estão levando de ônibus aos locais de votação" — e posteriormente precisou pedir desculpas. Nesta terça-feira, ao menos um vídeo publicado pelo premier no X foi identificado como sendo da eleição de 2022.

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O país começou a votar nesta terça-feira, pela primeira vez desde os ataques do Hamas em 2023, em uma eleição que pode redefinir seus rumos políticos. Em uma sociedade profundamente dividida, o pleito funciona como um veredito sobre a guinada à direita sob o comando do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu , após três anos de conflitos regionais e questionamentos sobre a resposta do governo aos ataques.

Cerca de 7,3 milhões de pessoas estão aptas a votar. Mais de um milhão de jovens poderão participar de uma eleição pela primeira vez, um grupo que, segundo as pesquisas, tende a apoiar partidos de centro-direita ou de direita. A segurança domina a campanha, em meio às críticas à condução das guerras e ao crescente isolamento internacional de Israel.

As últimas pesquisas mostram Netanyahu, o primeiro-ministro há mais tempo no poder no país, em uma disputa acirrada com seu principal adversário, o centrista Gadi Eisenkot, ex-chefe militar que entrou recentemente na política.

— Quero mudar nosso país. Quero um bom governo centrista — disse Alexandra, de 65 anos, à AFP, em uma seção eleitoral de Jerusalém, onde dezenas de pessoas aguardavam para votar pela manhã.

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Para Noam, de 78 anos, o governo ameaça a separação dos Poderes e a igualdade entre todos os cidadãos.

— Esta é a eleição mais importante, porque metade do país rejeitou os valores básicos sobre os quais o Estado de Israel foi criado.

Netanyahu aposta na segurança e no apoio de Trump

Aos 77 anos, Netanyahu acumula 19 anos no cargo de primeiro-ministro, em períodos distintos. Sua campanha se concentrou na segurança e na relação próxima com o presidente dos Estados Unidos , Donald Trump .

Após os ataques de 7 de Outubro, o dia mais mortal da história de Israel, Netanyahu iniciou várias guerras que deixaram Gaza em ruínas, levaram à ocupação do sul do Líbano e incluíram bombardeios contra o Irã , principal adversário regional de Israel, com apoio americano. Dentro do país, a população também foi alvo de ataques do Irã, do Hamas, do Hezbollah e dos combatentes houthis do Iêmen.

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Zipporah Bennett, aposentada de 85 anos, afirmou que votaria em Netanyahu por considerar que ele tem experiência para conduzir o país em momentos difíceis.

— Ele tem todo o apoio do governo americano e acredito que seja um homem que não tem medo de agir — afirmou.

Netanyahu voltou ao poder em dezembro de 2022, à frente de uma coalizão que inclui a extrema direita ultranacionalista, cuja influência cresceu desde então. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, político de extrema direita, votou no assentamento de Kiryat Arba, na Cisjordânia , onde seus apoiadores haviam instalado cartazes e alto-falantes.

Oposição cobra investigação sobre ataques de 2023

Os ataques do Hamas continuam no centro da disputa eleitoral. Críticos acusam Netanyahu de ter responsabilidade pelas falhas que permitiram a ofensiva do grupo e de se recusar a assumir essa responsabilidade.

Eisenkot, de 66 anos, prometeu criar uma comissão independente para investigar as falhas de segurança, iniciativa que o governo de Netanyahu tem evitado. Ex-chefe militar, ele lidera o partido Yashar e integra um bloco informal que reúne forças da direita à centro-esquerda.

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Embora se oponha à criação de um Estado palestino e apoie os assentamentos israelenses, Eisenkot prometeu conter a violência de colonos na Cisjordânia ocupada.

Partidos árabes podem influenciar a formação do governo

Nem Eisenkot nem Netanyahu anunciaram publicamente se pretendem formar alianças com listas de partidos de maioria árabe, que representam 21% da população israelense. Essas forças podem ser decisivas caso o resultado seja apertado.

A apuração definitiva poderá levar dias. O sistema parlamentar israelense exige pelo menos 61 dos 120 assentos do Knesset, o Parlamento israelense, para formar uma maioria, o que pode levar semanas ou meses. É pouco provável que um único partido alcance esse número. Por isso, a composição do próximo governo dependerá de negociações entre as forças políticas. Caso as conversas fracassem, uma nova votação poderá ser convocada.

Cerca de 70 mil israelenses que vivem no exterior viajaram ao país para votar, um número sem precedentes, segundo a rede britânica BBC. Pela manhã, vários partidos denunciaram supostas irregularidades nas seções, mas a Comissão Eleitoral Central afirmou não haver indícios de fraude sistemática nas cédulas. Os votos de militares e reservistas só começam a ser contados na quarta-feira, o que pode beneficiar os partidos de direita, que têm forte apoio nesse grupo.

A eleição acontece em um momento de crescente isolamento de Israel no cenário mundial, em meio à devastadora campanha militar em Gaza, à expansão dos assentamentos na Cisjordânia ocupada, à violência de colonos e ao avanço da extrema direita e do nacionalismo religioso.

A segurança e a condução dos conflitos regionais devem pesar na decisão dos eleitores, mas o resultado também será um teste à continuidade do projeto político de Netanyahu e à capacidade da oposição de construir uma alternativa de governo.

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