Realizada na paróquia Santa Generosa, na região do Paraíso, em São Paulo , a celebração das 16h deste sábado (24) era distinta das demais.
Planejada para atender às necessidades do público neurodivergente , foi uma liturgia mais curta, com menor grau de iluminação e sons mais baixos.
Neste último caso, a principal diferença foi a ausência do órgão, instrumento usado para acompanhar o canto da assembleia e do coral e promover um clima de oração durante a missa.
Os protagonistas da vez foram pessoas com TEA (transtorno do espectro autista) . Coube a eles conduzir os ritos nos momentos da leitura ou nos trabalhos do altar, entre outros.
Foi a segunda cerimônia do gênero realizada na Santa Generosa, mas a primeira nas dependências da igreja. A anterior ocorreu em 12 de setembro no salão paroquial.
Organizada pela empresária Susana Bae, 52, catequista e ministra na Santa Generosa, a missa é resultado de um planejamento que só saiu do papel pelo apoio dos fiéis.
"Eu já tinha essa ideia há anos. Tenho uma filha autista e acompanho a necessidade das famílias atípicas, que se sentem desacolhidas mesmo dentro da Igreja", disse Susana à Folha .
Muitas vezes, segundo ela, há quem direcione julgamentos a neurodivergentes por não entender como eles se comportam em momentos de crise, por exemplo.
Além da questão do som, não havia incenso aceso e a própria cerimônia foi mais curta.
A deste sábado se encerrou pontualmente às 16h45, 40 minutos após começar, quando o padre Claudiano Avelino dos Santos disse aos devotos "ide em paz e que o Senhor vos acompanhe".
O pároco vê a iniciativa com bons olhos. "Foi mais tranquilo do que eu imaginei, e as crianças reagiram muito bem", afirma Avelino.
Apesar das diferenças, o padre diz que a preparação da cerimônia dos neurodivergentes não destoa de uma missa comum.
"Abreviamos o que podemos abreviar, adaptamos algumas coisas, mas o essencial é exatamente o mesmo."