Por O GLOBO, com agências internacionais — Paris
30/10/2026 12h24 Atualizado 30/10/2026 12h24
A polícia de Paris anunciou nesta sexta-feira a implantação de um toque de recolher em duas áreas do centro da capital francesa nas noites de sábado e domingo. A decisão é uma tentativa de conter possíveis distúrbios durante manifestações contra a alta do custo de vida e as festas de Halloween. As entidades responsáveis pelas mobilizações criticaram a decisão e acusaram as autoridades de restringir o direito à manifestação. A medida ocorre em um momento de crescente tensão social na França , onde a insatisfação com a inflação tem gerado protestos que tomam as ruas e, em alguns casos, terminaram em confrontos, atos de vandalismo e saques .
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A restrição, que será válida entre 23h e 6h, tem como objetivo "manter ou restabelecer a ordem" diante do risco de ocorrências que possam comprometer a ordem pública, de acordo com a polícia.
Além do toque de recolher, as autoridades também proibiram manifestações que seriam realizadas no centro de Paris neste sábado. Os atos convocados pela central sindical CGT e pelo movimento dos chamados coletes amarelos, que protestam contra o aumento do custo de vida , foram autorizados em outras áreas da cidade. Segundo a polícia, os percursos propostos pelos organizadores não atendem às exigências de segurança por passarem por regiões que concentram delegacias, agências bancárias, áreas comerciais e redes de fast food.
As entidades responsáveis pelas mobilizações criticaram a decisão e acusaram as autoridades de restringir o direito à manifestação. A Unef, principal sindicato estudantil da França, afirmou que a medida representa uma tentativa de “silenciar a voz dos jovens” e informou que pretende manter protestos no centro da cidade apesar da proibição. Já a Fage, anunciou que entrará na Justiça para contestar a decisão, alegando que a mudança dos percursos coloca manifestantes em situação de maior risco.
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O presidente francês, Emmanuel Macron , alertou na segunda-feira que os protestos convocados para o próximo sábado representam mais um dia de riscos à segurança pública do país. Durante uma visita a Marselha, a segunda maior cidade da França, o líder francês também afirmou que as manifestações continuarão sendo mantidas fora dos trajetos dos centros urbanos para evitar distúrbios.
Macron também reconheceu que o governo foi surpreendido pela dimensão dos protestos de 17 de outubro, quando protestos semelhantes foram marcados por depredações e confrontos em diversas cidades francesas , que deixaram quase mil policiais feridos e mais de 3 mil estabelecimentos saqueados. Segundo ele, as autoridades não tinham previsto a escala das mobilizações nem a intensidade dos atos de violência. E, ao comentar sobre os protestos mais recentes, o presidente destacou que a França conseguiu preservar a ordem pública sem recorrer a medidas excepcionais.
O chefe de Estado lamentou ainda o que classificou como uma crescente "fascinação pela violência" e uma "grande confusão" na sociedade francesa, em meio à escalada dos protestos motivados pela insatisfação popular com o custo de vida e a qualidade dos serviços públicos.
Centenas de milhares de pessoas foram às ruas da França no último sábado para protestar contra a perda de poder de compra da população e dos serviços públicos. Segundo o ministro do Interior, Laurent Núñez, 1.435 pessoas foram detidas, e outros 150 civis e 267 agentes da segurança ficaram feridos. Núñez anunciou ainda a abertura de investigações internas para apurar possíveis excessos cometidos pelas forças policiais.
Em meio à expectativa de novas manifestações, o presidente Emmanuel Macron alertou para os riscos de novos distúrbios no próximo fim de semana e criticou o uso das redes sociais para a "mobilização do que há de pior".
No último sábado, os famosos museus parisienses Louvre, d'Orsay e Picasso permaneceram fechados por causa dos protestos previstos na capital francesa, de acordo com o Ministério da Cultura em um comunicado. O Grand Palais e o Museu da Orangerie também ficaram fechados.
Diante desta nova jornada de mobilização nacional, o ministério também convocou "todos os estabelecimentos" sob sua tutela a adotar as medidas necessárias para garantir "a segurança dos visitantes", "a proteção dos funcionários" e "a preservação das obras".
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