O resultado do primeiro turno das eleições deste ano mostra que não foi só o clã Bolsonaro que saiu vitorioso. A influência familiar foi determinante em votações majoritárias de outros estados.
Em Alagoas, João Henrique Caldas (PSDB), o JHC, se elegeu governador, e a esposa, Marina JHC (PSDB), senadora. A primeira suplente dela é a mãe de João Henrique, Maria Eudócia (PSDB), que está no Senado atualmente, após ter sido eleita como suplente em função da renúncia de Rodrigo Cunha (Podemos) ao cargo em 2024. O pai de JHC, João Caldas, também foi deputado estadual e federal.
Ainda em Alagoas, o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP) se elegeu senador e emplacou o filho Alvinho Lira (PP), de apenas 20 anos, como deputado federal. Antes de Arthur, o pai, Benedito, também já havia sido deputado federal. Do estado, também vem uma grande derrota familiar: Renan Calheiros não conseguiu se reeleger senador, e Renan Filho perdeu a disputa para governador.
No Amapá, Dr. Furlan (Podemos) se elegeu governador e a esposa, Rayssa Furlan (Podemos), senadora. O cunhado dela, Neto Furlan (Podemos) é o primeiro suplente. A família trava uma disputa intensa com o atual presidente do Senado , Davi Alcolumbre (União).
O senador Eduardo Braga (MDB) se reelegeu pelo Amazonas, com a esposa, Sandra (MDB), como suplente.
No Pará, Helder Barbalho (MDB) conseguiu uma das cadeiras no Senado, com o pai, Jader (MDB), como suplente. Ex-governador (1983-1987/1991-1994), assim como Helder (2019-2026), Jader termina seu mandato como senador para ser substituído pelo filho. O outro filho, Jader Filho (MDB), foi eleito deputado federal.
Em São Paulo, dois clãs petistas conseguiram eleger representantes no Legislativo: os Tatto e os Zarattini.
Os irmãos Jilmar e Nilto foram reeleitos na Câmara dos Deputados . O outro irmão, Ênio, se reelegeu para a Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo).
Entre os Zarattini, a dobradinha foi entre Carlos, para mais um mandato na Câmara, e sua sobrinha Luna, que fará sua estreia como deputada federal após ter sido vereadora da capital paulista
A família Tatto possui ampla influência na Capela do Socorro, na zona sul da capital paulista, desde a gestão Luiza Erundina (1989-1992). Lá, acumulam imóveis, destinam emendas e angariam votos para o Legislativo.
O poderio familiar é tão forte quanto folclórico a ponto de a região ter sido apelidada de "Tattolândia", com seis dos dez irmãos envolvidos na política —um deles, Leonide, foi subprefeito da região.