A COP17, realizada em Yerevan, na Armênia , buscou reavivar o compromisso de deter e reverter a destruição da natureza até 2030. Um balanço dos esforços globais para cumprir essa meta mostrou que as ações tomadas até agora são insuficientes para alcançar os compromissos já assumidos.
Entre eles estão: proteger 30% das terras e dos oceanos do planeta, combater a poluição e as espécies invasoras e ampliar os recursos destinados à conservação.
"E é isso. Perfeito", disse o presidente da COP17, Hambardzum Matevosyan, na Armênia, ao bater o martelo para aprovar os acordos.
Um deles é o chamado "Caminho de Yerevan", que estabelece diretrizes para que os países acelerem e ampliem suas ações, inclusive o cumprimento de seus compromissos financeiros. A decisão também pede que ao menos US$ 500 bilhões em subsídios a atividades prejudiciais à natureza sejam redirecionados.
Os participantes aplaudiram quando textos cruciais foram aprovados já na prorrogação, mas o resultado foi considerado pouco ambicioso para enfrentar o impacto destrutivo da humanidade sobre os ecossistemas.
A ministra francesa da Transição Ecológica, Monique Barbut, afirmou que o resultado não está à altura da crise que assola o planeta.
"Os avanços que não conseguimos alcançar aqui representam uma série de oportunidades perdidas de acelerar nossa resposta à perda de biodiversidade ", disse Barbut, ressaltando que "a natureza não esperará o ritmo de nossas negociações".
A plenária final se estendeu por toda a noite de sexta-feira e avançou pela manhã seguinte, com as negociações azedando à medida que as horas passavam. Enquanto alguns delegados deixavam o local para pegar voos, outros permaneciam para discutir questões técnicas.
"Houve muita pressão e resistência em todas as direções", disse Juliette Landry, veterana observadora das COPs e integrante do centro de estudos IDDRI. "Nesse contexto, é difícil conseguir que as propostas sejam aceitas".
A chefe de biodiversidade da ONU, Astrid Schomaker, afirmou que a cúpula havia alcançado resultados "bastante notáveis em um momento em que o multilateralismo supostamente não está funcionando".
"Em alguns desses temas mais difíceis , não poderíamos esperar compromissos sólidos negociados. Esse nunca foi o plano", disse ela a jornalistas após o encerramento da cúpula.
"Hoje, vimos mais surpresas positivas do que truques na COP17", afirmou Daudi Sumba, diretor de conservação do WWF-Internacional. Ele defendeu que o o balanço das ações de conservação elabora pelas Nações Unidas mostra que é preciso fazer mais, mas para isso é necessário mais investimento.
"Sem uma ampliação clara dos recursos financeiros necessários para viabilizar essas ações, temo que o financiamento continue sendo a principal questão a assombrar as cúpulas das Nações Unidas sobre biodiversidade", avaliou ele.