O financiamento dos países desenvolvidos aumentou US$ 1 bilhão, chegando a US$ 28,2 bilhões (R$ 154,6 bilhões) em 2024 —muito abaixo do necessário para ajudar as nações mais pobres a enfrentar o agravamento das ondas de calor , secas, incêndios florestais e inundações. Os dados são do Relatório sobre a Lacuna de Adaptação 2026, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
Os dados foram divulgados enquanto os países se preparam para se reunir na Turquia , de 9 a 20 de novembro, para a COP31 , próxima rodada de negociações climáticas globais.
O relatório coloca mais uma camada de tensão nas relações diplomáticas, já que o valor atual representa mais uma promessa quebrada pelos países desenvolvidos . Em 2021, essas nações se comprometeram a alcançar cerca de US$ 40 bilhões anuais (R$ 219 bilhões) até 2025 para a adaptação climática nos países em desenvolvimento.
Segundo o Acordo de Paris , os países mais desenvolvidos, historicamente responsáveis pela maior parte das emissões de gases do efeito estufa , devem financiar os países em desenvolvimento para que estes se adaptem aos efeitos do aquecimento e façam a transição para fontes de energia limpa.
Agora é dado como certo que as temperaturas globais irão ultrapassar, dentro de alguns anos, o limite crítico de 1,5°C de aquecimento acima da média registrada antes da Revolução Industrial (1850 - 1900). Com isso, é imperativo acelerar os esforços de adaptação por meio da restauração de ecossistemas e do fortalecimento de infraestruturas.
"Para cada dólar que os países em desenvolvimento precisam para a adaptação, recebem apenas 10 centavos", criticou o secretário-geral da ONU, António Guterres.
"Sabemos quem corre maior risco. Sabemos o que funciona. O que falta é dinheiro e vontade política. A escolha é simples: investir hoje em adaptação ou pagar pelas catástrofes de amanhã", acrescentou.