Se o campo que se fortaleceu nos governos estaduais e no Legislativo insistir em lançar desconfiança sobre o resultado das urnas e ficar preso a anistias de golpistas, pode perder o bonde, o controle da agenda e desperdiçar a vantagem no Congresso .
Não houve derrota do fascismo nem vitória do comunismo. Tais antiguidades não estiveram em disputa na cabeça de um eleitorado que escolheu não trocar o certo —no sentido de conhecido, não necessariamente de correto— pelo altamente duvidoso, notadamente no quesito garantias democráticas.
Ainda assim, dois chavões que descrevem nossa realidade perduram: a polarização entre as forças políticas predominantes não cede e a pacificação do país não acontece.
Se o Brasil seguirá preso a essa dinâmica ou se escapará da armadilha, vai depender da compreensão sobre a profundidade do abismo adiante e do empenho na reconstrução da normalidade institucional.
Ao presidente reeleito cabe mostrar disposição para liderar a reorganização dos Poderes, mas ao campo escolhido para ficar na oposição não é dada a prerrogativa de se eximir das responsabilidades quanto aos destinos da nação. É o que diz o preceito da alternância de poder.
Saber ganhar e perder é exigência primordial, sem a qual só se constroem impasses impossíveis de serem ultrapassados pela recusa de validação dos eleitores do adversário. O momento da vitória ou da derrota é fortuito. O prazer e o desprazer passam, e o país segue com suas necessidades e urgências.
O engajamento na disputa vale muito, mas só contribui de fato se for acompanhado de vigilâncias e cobranças constantes ao bom exercício das funções de governo e oposição.