Com a temporada de negociações para a formação do segundo governo Lula, o destino do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad é uma das principais incógnitas. Antes das eleições, ele era dado como praticamente certo para ocupar o ministério da Casa Civil.
Mas, como seu desempenho eleitoral em São Paulo foi inferior ao de 2022, outros nomes do petismo (como Camilo Santana) passaram a ser cotados como favoritos para o principal posto do governo. Nesse contexto, Haddad passou a ser cogitado também para comandar pastas como o ministério das Relações Exteriores (MRE), a Justiça e/ou Segurança Pública.
No caso do MRE, a justificativa seria que é uma pasta de peso, à altura do tamanho político de Haddad e que mantém a proximidade dele com o presidente, que tem na diplomacia um tema muito caro. Além disso, o ex-chefe da economia teve um certo protagonismo na agenda das finanças internacionais, em fóruns como G20, Brics e na própria COP30. Com a boa interlocução que construiu no exterior, poderia ajudar também Lula no esforço de acalmar o capital internacional.
Politicamente, porém, a pasta da Segurança Pública, que está vinculada à aprovação da PEC em tramitação no Senado, poderia ser um caminho com mais sentido para as pretensões de quem é sempre colocado como um potencial sucessor de Lula. O tema da criminalidade é uma das grandes queixas da população e, sendo bem-sucedido, o cacife político do ministro subiria nessa corrida por 2030.
Ao destino de Haddad está atrelado o do ministro da Fazenda, Dario Durigan. Com o forte estresse na sessão de hoje do mercado financeiro, o presidente Lula será pressionado a dar sinalizações mais relevantes e rápidas sobre qual será seu rumo econômico nesse quarto mandato, que muitos aliados dele dizem que já começa hoje.
A bolsa de apostas já começou a correr, com diversos nomes sendo citados, além da possibilidade de permanência de Durigan. Entre os cogitados estão: o vice-presidente, Geraldo Alckmin, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti; e nas últimas horas algumas notícias citaram até os nomes do governador do Piauí, Rafael Fonteles, um dos maiores destaques na campanha de Lula ao segundo turno; e do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que teria uma interlocução relativamente boa com o mercado, após a credibilidade conquistada com a política monetária; e até do ex-ministro e senador Renan Filho, que teria na eleição de seu adversário Arthur Lira ao Senado um problema sério para superar nas negociações com um Congresso com um número maior de parlamentares bolsonaristas.
Se nomes já representam sinalizações e ajudam no esforço de estabilização das finanças, fato é que o presidente Lula é quem poderá efetivamente tranquilizar o mercado. Mas ele sabe que precisa fazer isso sem repetir o erro do governo Dilma Rousseff, que com um severo estelionato eleitoral acabou terminando precocemente seu governo.