A mobilização cobra informações sobre rotas, veículos, embarcações, combustível e responsáveis pelo deslocamento, incluindo o retorno às comunidades. As entidades também pedem que os órgãos públicos apresentem soluções para cada demanda ou justifiquem concretamente a impossibilidade de atendimento.
Um levantamento feito pelas organizações com dados públicos do TSE identificou 21 locais de votação com maioria de eleitores autodeclarados indígenas, pelo menos 100 pessoas aptas a votar e abstenção igual ou superior a 30% no primeiro turno. Os locais ficam em Mato Grosso (oito), Pará (cinco), Mato Grosso do Sul (quatro), Acre (dois) e Amazonas (dois).
Nesses pontos, a abstenção foi, em média, 11,95 pontos percentuais superior à registrada no restante dos respectivos municípios. Os dados não comprovam, por si só, falhas no transporte, mas indicam locais em que as condições de acesso às urnas devem ser investigadas, segundo as entidades.
A iniciativa reúne, entre outras organizações, o Instituto Raoni, a Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) e a Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari). Os pedidos também foram enviados ao Ministério Público Eleitoral, à Defensoria Pública da União, ao Ministério dos Povos Indígenas, à Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) e à Secretaria de Saúde Indígena.
A mobilização ocorre após relatos de dificuldades de deslocamento no primeiro turno e de obstáculos para organizar o transporte de comunidades distantes dos locais de votação. No Vale do Javari, no Amazonas, a Justiça Eleitoral chegou a negar um pedido de apoio logístico para eleitores de dezenas de aldeias.
Na quarta-feira (21), porém, o TRE-AM (Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas) informou que o deslocamento para o segundo turno estava garantido por meio de uma articulação entre a Prefeitura de Atalaia do Norte, a Funai, o Distrito Sanitário Especial Indígena e organizações. Foram disponibilizados 9.400 litros de combustível para embarcações utilizadas pelas comunidades.
Em outra frente, a DPU pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) , também na quarta, uma decisão urgente para garantir transporte gratuito aos eleitores no segundo turno. A Defensoria afirma que há municípios que não oferecem o serviço ou mantêm uma frequência inferior à dos dias úteis, contrariando a determinação de gratuidade do transporte coletivo urbano nos dias de votação.
Os pedidos apresentados nesta quinta-feira pelas organizações se fundamentam em resoluções do TSE de 2026 que tratam do transporte em territórios indígenas e quilombolas e da fiscalização dessas medidas.
"O direito ao voto não existe se o eleitor não tem como chegar à urna", afirma Erika Hilton. "O que se pede é resposta concreta: rotas, combustível e horários definidos antes de domingo", diz a deputada.
com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVE IA e KARINA MATIAS